Existem frases que atravessam gerações porque carregam verdades eternas. Duas delas me impactam profundamente. No clássico O Pequeno Príncipe, encontramos uma reflexão poderosa: “Aqueles que passam por nós não nos deixam sós. Deixam um pouco de si e levam um pouco de nós.” Já o gigantesco poeta português Fernando Pessoa escreveu: “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.” E então surge a pergunta mais importante deste artigo: você é uma pessoa incomparável? Você é do bem… ou do mal?
Pode parecer uma pergunta dura. Mas ela é necessária. Todos os dias, em cada contato humano, deixamos marcas. Na Clientologia, chamamos isso de Momento da Verdade: cada instante em que alguém entra em contato conosco e sai melhor, pior ou exatamente igual depois daquela experiência. A verdade é simples: ninguém passa pela vida sem impactar pessoas. A cada conversa, atendimento, postagem, decisão ou palavra, estamos ajudando a construir ou a destruir. Estamos elevando ou contaminando ambientes. Estamos inspirando ou adoecendo pessoas.
E o mais impressionante é que vencemos uma corrida absurda para estar aqui. Foram mais de 200 milhões de espermatozoides disputando uma única oportunidade de vida… e nós vencemos. Como dizem no interior: “nós vingamos”. Estamos vivos. Respirando. Ocupando espaço no planeta Terra. Mas fazendo o quê com essa oportunidade?
Este artigo nasceu a partir de um insight ao assistir a uma notícia sobre uma influenciadora digital presa pela Polícia Federal. Imediatamente pensei: milhões de seguidores… influenciando para quê? Influenciando quem? Influenciando para o bem… ou para o mal? Vivemos uma era perigosa. Nunca foi tão fácil influenciar multidões. Mas também nunca foi tão importante discutir responsabilidade. Uma pessoa famosa deveria se perguntar, antes de divulgar qualquer produto, serviço ou comportamento: isso vai melhorar ou piorar a vida das pessoas?
Hoje o Brasil vive uma epidemia silenciosa e devastadora: os jogos, as bets, o vício disfarçado de entretenimento. Famílias sendo destruídas. Endividamento. Depressão. Divórcios. Suicídios. Jovens perdendo sonhos. Pais perdendo patrimônio. E, ainda assim, existe gente sorrindo diante das câmeras para estimular outras pessoas a entrar nesse abismo. Será que vale tudo por dinheiro? Será que seguidores justificam destruição? Será que fama sem consciência é evolução?
Enquanto isso, às vezes uma senhora simples que serve café numa empresa, uma funcionária da limpeza, um motorista de ônibus educado, uma pipoqueira sorridente ou um porteiro gentil fazem muito mais bem para a humanidade do que certos milionários idolatrados pelas redes sociais. Porque o valor de um ser humano não está apenas no tamanho da sua conta bancária, mas no impacto da sua existência. Tem gente simples que ilumina ambientes. E tem gente poderosa que escurece tudo ao redor.
No fim, todos nós temos apenas três possibilidades em cada contato humano: encantar, ser indiferente ou machucar. E talvez seja exatamente aí que esteja a verdadeira missão da vida. Não viemos ao mundo apenas para passear, consumir, ganhar dinheiro ou aparecer. Viemos agregar valor. Viemos melhorar os lugares por onde passamos. Viemos deixar as pessoas melhores depois de cada encontro — no trabalho, na família, na empresa, na rua, na internet e na vida. A ideia é simples, mas profunda: entregar o melhor de si e despertar o melhor nos outros. Porque, no final das contas, depois que tudo passar, sobrará apenas uma pergunta: a sua passagem pela Terra fez o mundo melhor… ou pior?
E, para completar nossa reflexão, é preciso tomar cuidado para não cairmos no julgamento permanente, numa espécie de caça às bruxas emocional. Não existe ser humano em estado contínuo de elevação, nem totalmente mergulhado na negatividade. Somos humanos. Imperfeitos. Inacabados. Em construção. Eventualmente, até mesmo uma pessoa inclinada ao bem pode errar, ferir, influenciar negativamente ou tomar decisões equivocadas. Por isso, particularmente, adoro um ensinamento bíblico extremamente poderoso: “Vigiai e orai.” É exatamente isso que precisamos fazer: estar atentos, vigilantes e conscientes em cada ato, em cada situação, em cada Momento da Verdade. Porque é na consciência diária que escolhemos entregar o bem. E, se eventualmente tivermos uma recaída, um erro ou um desvio de consciência, que tenhamos humildade para reconhecer rapidamente, corrigir a rota e retomar nossa elevação.
No fundo, viver talvez seja exatamente isso: um exercício permanente de consciência. Enfim… que sejamos influenciadores positivos. Pessoas que fazem diferença no mundo. Que sejamos faróis. Luz em cada gesto, em cada palavra, em cada atitude.
Um grAAAnde e fraterno abraço,
Prof. Sérgio Almeida
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