Salvador, BA sexta-feira, 19 de junho de 2026

Quanto vale Dona Maria?

Em tempos de inteligência artificial, o diferencial humano ganha valor. Gentileza, empatia e presença transformam ambientes e podem valer mais do que qualquer habilidade técnica.
Sérgio Almeida Lima
Sérgio Almeida Lima01 de junho de 2026
Quanto vale Dona Maria?
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Foi muito prazeroso conhecer Dona Maria, uma funcionária extremamente simples, servidora do cafezinho de uma empresa onde realizamos um trabalho de consultoria durante cerca de cinco meses. 


Dona Maria tinha um salário simples, modesto, discreto. Mas sua presença era gigantesca. Todos gostavam dela. Absolutamente todos. Dona Maria era confidente de muitos, sempre tinha uma palavra de carinho, um sorriso largo, um olhar acolhedor. Sua energia parecia abraçar as pessoas. Havia algo nela que transformava o ambiente. Não importava o cargo, o setor, o nível hierárquico ou a pressão do dia. Quando Dona Maria chegava com o café, ela não entregava apenas uma bebida. Ela entregava conforto, humanidade, afeto, presença. E isso muda tudo.


Em determinado momento, fiz uma reflexão com alguns gestores da empresa: “Vocês já imaginaram o impacto da saída de Dona Maria daqui?” O silêncio tomou conta da sala, porque todos sabiam a resposta. O impacto seria enorme. A empresa perderia uma espécie de alma invisível do ambiente, aquela energia boa que ameniza conflitos, reduz tensões, aproxima pessoas e humaniza o cotidiano corporativo. Dona Maria não fazia café. Isso qualquer máquina faz. Ela entregava uma experiência emocional. E aqui nasce uma reflexão profunda: os modelos tradicionais de meritocracia praticamente não conseguem medir isso. 


Os sistemas valorizam diplomas, especializações, idiomas, competências técnicas, produtividade operacional. Tudo isso é importante. Mas existe algo muito maior surgindo diante dos nossos olhos neste novo tempo da humanidade.


Com o avanço exponencial da inteligência artificial, as atividades cognitivas, técnicas e repetitivas estão sendo absorvidas pelas máquinas. Relatórios, análises, cálculos, diagnósticos, textos, programação… tudo isso já começa a ser realizado em níveis impressionantes pela IA. E então sobra a grande pergunta: o que restará ao ser humano? A resposta talvez seja simples e revolucionária ao mesmo tempo: a humanidade. 


Nunca o ser humano foi tão convocado a ser verdadeiramente humano. Isso exige uma mudança radical na forma como avaliamos valor dentro das organizações. Talvez as competências mais importantes do futuro não sejam apenas técnicas. Talvez sejam amor, empatia, consideração, escuta, gentileza, presença, capacidade de acolher, inspirar, gerar paz, unir pessoas e encantar seres humanos.


Pessoas encantadoras não apenas trabalham. Elas transformam ambientes, melhoram culturas, diminuem a dor emocional do cotidiano, elevam a energia coletiva e fazem pessoas permanecerem. O mais curioso é que quase nunca os sistemas de remuneração contemplam isso. Talvez porque seja difícil medir. Talvez porque o mundo corporativo tenha se tornado excessivamente técnico. Talvez porque ainda não entendemos completamente o valor econômico da humanidade. Mas sinceramente acredito que estamos caminhando para um tempo em que pessoas como Dona Maria passarão a ser vistas de forma completamente diferente. E por que não? Qual era o impacto real dela naquela organização? Quantos conflitos ela ajudava a suavizar sem perceber? Quantas pessoas ela confortava? Quantos dias difíceis ajudava alguém a suportar? Quantas emoções positivas espalhava silenciosamente? Será que isso vale menos do que muitas atividades técnicas? 


Talvez estejamos caminhando para um tempo em que Dona Maria mereça ganhar o salário de um diretor. E talvez isso não seja exagero. Talvez exagero seja o fato de nunca termos percebido antes o verdadeiro valor de seres humanos extraordinariamente humanos. Porque no futuro, quando tudo for automatizado, o diferencial não será quem sabe mais. Será quem consegue tocar pessoas. E nisso, Dona Maria era uma gigante.


Um grAAAnde fraterno abraço.


Prof. Sérgio Almeida

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Sérgio Almeida Lima

Sérgio Almeida Lima

Especialista em Atendimento e Relacionamento com o Cliente.

Referência nacional no tema CLIENTE. Criador da CLIENTOLOGIA. Autor do best-seller “Ah! Eu não acredito!”, mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos.

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