Na próxima semana, terei a alegria de participar, ao lado de profissionais incríveis, de um painel no evento Bahianas 2026, promovido pelo Portal Bahia Bahia, para discutirmos um tema extremamente atual e necessário: a mulher contemporânea e o preço invisível da sobrecarga.
E talvez, antes mesmo de falar sobre sobrecarga, seja importante refletirmos sobre a mulher que existe por trás dela.
A mulher contemporânea conquistou espaço, autonomia, independência e voz. Hoje, ela lidera empresas, empreende, cuida da casa, da família, dos filhos, da saúde, da aparência, das relações, das finanças e, muitas vezes, ainda sente a necessidade de provar constantemente seu valor.
Existe uma geração de mulheres extremamente capazes… mas emocionalmente cansadas.
Mulheres que aprenderam a resolver tudo, sustentar tudo e dar conta de tudo — mas que, em muitos momentos, já não sabem mais como desacelerar sem culpa.
E o mais delicado é que essa sobrecarga raramente começa no corpo. Ela começa silenciosamente.
Na necessidade de corresponder expectativas.
Na autocobrança excessiva.
Na dificuldade de estabelecer limites.
Na sensação constante de estar devendo em alguma área da vida.
Muitas mulheres deixaram de viver para apenas funcionar. E, aos poucos, vão se desconectando de si mesmas. Vivemos em uma sociedade que valoriza produtividade, performance e resultados, mas fala pouco sobre o impacto emocional de sustentar tantos papéis ao mesmo tempo.
Principalmente para a mulher. Porque a mulher contemporânea não quer apenas crescer profissionalmente. Ela também quer estar presente na vida dos filhos, ser uma boa companheira, cuidar da família, manter relações saudáveis, se sentir bonita, realizada e emocionalmente equilibrada.
E tudo isso enquanto tenta sobreviver à pressão silenciosa de precisar ser forte o tempo inteiro. Talvez por isso tantas mulheres estejam cansadas sem conseguir explicar exatamente o motivo.
Não é apenas cansaço físico. É mental, emocional e interno. E muitas vezes esse excesso começa a se manifestar em pequenas atitudes do cotidiano: irritação constante, dificuldade de descansar, sensação de culpa ao parar, ansiedade, consumo emocional, dificuldade de se posicionar e até uma desconexão profunda da própria identidade.
O problema é que a mulher foi ensinada a cuidar de todos , mas nem sempre aprendeu a cuidar de si mesma sem se sentir egoísta por isso.
Estamos em maio, um mês que naturalmente nos convida a refletir sobre maternidade, afeto, vínculos e cuidado. E talvez essa seja também uma oportunidade importante para ampliarmos o olhar sobre a mulher além das funções que ela exerce.
Porque antes de ser mãe, esposa, profissional, filha ou cuidadora, existe uma mulher que também precisa ser acolhida, respeitada e ouvida. Acredito que esse seja um dos grandes desafios da mulher contemporânea: não se perder de si mesma enquanto tenta sustentar tantos papéis.
Na próxima semana, no Bahianas 2026, teremos a oportunidade de aprofundar essa reflexão em um painel construído com muito propósito, ao lado de mulheres e profissionais de excelência, trazendo diferentes perspectivas sobre esse tema tão necessário.
Mais do que falar sobre sobrecarga, queremos falar sobre consciência, equilíbrio, saúde emocional e a importância de construir uma vida que faça sentido sem que a mulher precise adoecer para perceber que chegou ao limite. Porque equilíbrio não nasce da perfeição, nasce da consciência. dos limites, das escolhas e da coragem de se escutar novamente.
E talvez essa seja a reflexão mais importante de todas: Quem é a mulher que existe por trás de tudo aquilo que você sustenta?

