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MOTIVAÇÃO É DIFERENTE DE FELICIDADE E ESSA CONFUSÃO ESTÁ CUSTANDO CARO

Estar motivado não significa estar feliz e entender isso pode transformar suas decisões.
Gizelia Bernardes Brandao
Gizelia Bernardes Brandao15 de abril de 2026
MOTIVAÇÃO É DIFERENTE DE FELICIDADE E ESSA CONFUSÃO ESTÁ CUSTANDO CARO
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Vivemos em uma era em que a motivação virou combustível diário. Vídeos rápidos, frases de impacto e ambientes que elevam a energia fazem parecer que estar motivado é suficiente para sustentar uma vida. Mas existe uma confusão silenciosa e perigosa: acreditar que motivação e felicidade são a mesma coisa, mas não são.

Essa percepção não veio da teoria, mas da prática. Em uma das decisões mais importantes da minha trajetória, ao comunicar minha saída da indústria farmacêutica, ouvi algo que até hoje ecoa como reflexão. Diante do meu posicionamento de que já não estava mais feliz, a resposta foi de surpresa: como assim, se sempre houve motivação, entrega de resultados, reconhecimento e bons relacionamentos? Foi ali que uma clareza se estabeleceu: motivação é diferente de felicidade. Havia motivos para continuar. Um bom salário, responsabilidades, compromissos assumidos. Havia consistência na entrega, reconhecimento externo e estabilidade. Mas já não havia sentido.

E essa é uma realidade mais comum do que se imagina.

Motivação, na sua essência, está ligada a motivos. Ela pode ser sustentada por fatores externos como metas, recompensas, necessidade ou até pressão. Ela impulsiona, direciona e, muitas vezes, mantém uma pessoa em movimento. No entanto, ela não garante conexão com aquilo que se vive.

A psicologia positiva, a partir dos estudos de Martin Seligman, mostra que felicidade não é um estado constante de euforia, mas uma construção baseada em elementos como sentido, engajamento, relações, realização e emoções positivas. Ou seja, não se trata de estar bem o tempo todo, mas de viver algo que faça sentido de forma consistente.

Essa distinção muda a forma como se enxerga decisões, carreira, relacionamentos e a própria vida.

Porque chega um momento em que não falta motivação, falta alinhamento.

É possível estar motivado para trabalhar, produzir e performar, e ainda assim não se sentir no lugar certo. É possível cumprir expectativas externas e, ao mesmo tempo, carregar uma sensação interna de desconexão. E isso não está relacionado à ingratidão, mas à consciência.

Filósofos como Epicurus já apontavam que a felicidade está muito mais ligada à qualidade das relações, à simplicidade e ao equilíbrio do que ao acúmulo. A valorização de vínculos, da amizade e de uma vida com menos excessos era vista como um caminho para uma existência mais plena. E essa visão permanece atual.

No contexto profissional, isso se revela quando há performance sem realização. Nos relacionamentos, quando há permanência sem conexão. Na vida, quando há movimento constante, mas sem direção clara.

Mudar de rota não é simples. Exige coragem, preparo e, principalmente, honestidade consigo. Decisões importantes raramente são impulsivas; elas passam por processos internos profundos, muitas vezes silenciosos.

Existe um preço em mudar, mas existe um custo maior em permanecer onde já não há verdade.

Talvez a pergunta mais relevante não seja o que ainda motiva a permanecer, mas se aquilo que está sendo vivido faz sentido para a vida que se deseja construir.

Motivação pode iniciar o movimento.
Mas é o sentido que sustenta a continuidade.

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Gizelia Bernardes Brandao

Gizelia Bernardes Brandao

Treinamentos, palestras e mentorias

Palestrante, mentora e treinadora. Atua com foco em posicionamento e desenvolvimento humano. Autora do livro “Transformação Diária”.

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