InícioColunistasSérgio Almeida LimaGESTÃO DO MIMIMI: A MENTALIDADE DEFINE O JOGO.

GESTÃO DO MIMIMI: A MENTALIDADE DEFINE O JOGO.

Em tempos de incerteza, a mentalidade do empresário faz a diferença. Em vez de alimentar o medo, é preciso focar no que pode controlar, fortalecer a equipe e transformar desafios em oportunidades.
Sérgio Almeida Lima
Sérgio Almeida Lima30 de outubro de 2026
GESTÃO DO MIMIMI: A MENTALIDADE DEFINE O JOGO.
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O cenário é o mesmo. A diferença está na cabeça de quem comanda.


Segunda-feira, 26 de outubro. O Brasil amanhece dividido após as eleições presidenciais. De um lado, milhões de brasileiros comemorando. Do outro, milhões frustrados, preocupados e até indignados. Um país, dois sentimentos. Muitas incertezas sobre o futuro. Entretanto, uma certeza já começa a se revelar: a diferença entre a mentalidade dos empresários vencedores e a dos empresários perdedores.


Não estou falando de quem ganhou ou perdeu a eleição. Estou falando de quem ganha ou perde na vida!


Basta observar o comportamento de alguns empresários. Há aqueles profundamente receosos, assustados, quase desesperados, anunciando cortes, suspendendo investimentos, cancelando projetos e colocando o pé no freio. Alguns parecem dispostos a dar um verdadeiro cavalo de pau em suas empresas, como se o resultado eleitoral tivesse decretado antecipadamente o fracasso dos seus negócios.


Por outro lado, existem empresários experientes, que já atravessaram governos, crises econômicas, mudanças de moeda, inflação, recessões e turbulências de toda natureza. Gente que amadureceu e aprendeu uma lição fundamental: não são apenas as circunstâncias que determinam o destino de uma empresa, mas, principalmente, a maneira como seus líderes reagem a elas.


E aqui entra um personagem extraordinário da história da humanidade: Marco Aurélio, imperador romano e um dos grandes representantes do estoicismo.


O estoicismo é uma escola filosófica surgida na Grécia antiga, há mais de 2.300 anos, que ensina algo extremamente atual: não devemos desperdiçar nossa energia tentando controlar aquilo que não depende de nós. Entre seus grandes representantes estão Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio, autor de Meditações, uma obra que recomendo enfaticamente.


Um dos ensinamentos centrais dessa filosofia é a chamada dicotomia do controle, formulada especialmente por Epicteto e também presente nas reflexões de Marco Aurélio.


A ideia é simples, mas profundamente transformadora: existem coisas que dependem de nós e coisas que não dependem.


Você não controla quem venceu a eleição, as decisões do governo, a política tributária, a cotação do dólar, o comportamento do mercado, as atitudes da concorrência ou as manchetes dos jornais. Pode acompanhar, analisar, preparar-se e até influenciar algumas dessas situações, mas não tem o comando sobre elas.


Então, por que desperdiçar tanta energia reclamando, lamentando e alimentando o famoso mimimi?


Enquanto alguns passam horas consumindo notícias, discutindo declarações de políticos e especulando sobre tudo o que poderá acontecer, outros estão fazendo aquilo que realmente importa: trabalhando, criando, melhorando, preparando suas equipes e procurando oportunidades.


Atenção, empresário: você não controla o país, mas tem enorme responsabilidade sobre o que acontece dentro da sua empresa!


Você influencia o clima emocional da equipe, a qualidade das decisões, o entusiasmo dos colaboradores, a intensidade dos treinamentos, o relacionamento com os clientes e a capacidade de transformar dificuldades em oportunidades.


Imagine duas empresas do mesmo segmento, na mesma cidade, enfrentando exatamente o mesmo cenário econômico. Na primeira, o empresário reúne sua equipe para transmitir medo, pessimismo e insegurança. Fala apenas de dificuldades, ameaças e cortes. Na segunda, o empresário reconhece os desafios, mas reúne as pessoas para fortalecer a união, elevar a competência, melhorar o atendimento, eliminar desperdícios e conquistar novos clientes.


Qual das duas terá maiores possibilidades de prosperar?


A resposta parece evidente. E é justamente aí que entra a mentalidade.


Na Clientologia, tenho enfatizado ao longo de décadas que o comportamento dos colaboradores é profundamente influenciado pela mentalidade de quem lidera. Um empresário que espalha medo dificilmente terá uma equipe confiante, entusiasmada e comprometida com a excelência. Por outro lado, aquele que transmite coragem, responsabilidade e determinação cria condições muito mais favoráveis para despertar o melhor das pessoas.


Isso não significa ignorar riscos, fazer investimentos irresponsáveis ou fingir que os problemas não existem. Significa enfrentá-los com lucidez, planejamento e atitude, sem permitir que o medo paralise a capacidade de agir.


Crise não é autorização para mediocridade. Muito pelo contrário, é um convite para ser EXTRAordinário!


Mais do que nunca, é hora de capacitar, reciclar, inovar, ouvir a Voz do Cliente, aperfeiçoar processos e fortalecer a cultura de servir. Enquanto alguns se recolhem, outros avançam. Enquanto alguns procuram culpados, outros procuram soluções.


E aqui me lembro de uma história fascinante da Bahia, envolvendo um corneteiro que entrou para a memória popular como símbolo de coragem e iniciativa.


Em 8 de novembro de 1822, durante a Batalha de Pirajá, as tropas brasileiras enfrentavam os portugueses na luta pela Independência da Bahia. Segundo um famoso relato histórico, diante da superioridade do adversário, o comandante brasileiro Barros Falcão ordenou ao corneteiro Luís Lopes que tocasse a retirada.


Mas aconteceu algo surpreendente. Em vez do sinal de recuo, Lopes teria tocado: “Cavalaria, avançar e degolar!”


Os portugueses, acreditando que os brasileiros haviam recebido reforços, recuaram. As tropas brasileiras ganharam ânimo e avançaram. A batalha terminou com a vitória dos defensores da Independência. Embora os historiadores discutam a veracidade dos detalhes dessa narrativa, ela permanece como uma das histórias mais emblemáticas da coragem baiana.


E que extraordinária lição podemos extrair desse episódio!


A mesma corneta que poderia anunciar a retirada anunciou o avanço.


Empresário, preste muita atenção: você também tem uma corneta nas mãos!


Que som sua equipe está ouvindo? O toque do medo, do pessimismo, da lamentação e da retirada? Ou o toque da coragem, da confiança, da preparação e da determinação para vencer?


O empresário é, antes de tudo, um grande influenciador de mentalidades. Suas palavras, atitudes e decisões podem fortalecer ou enfraquecer centenas de pessoas. Por isso, em momentos de incerteza, sua responsabilidade é ainda maior.


Henry Ford, um dos grandes nomes da história empresarial, é frequentemente associado a uma frase que traduz perfeitamente essa reflexão:


“Se você pensa que pode ou pensa que não pode, provavelmente está certo.”


A autoria exata da frase é discutida, mas sua mensagem é poderosa. Nossas crenças influenciam nossas atitudes, nossas atitudes determinam nossas ações e nossas ações interferem diretamente nos resultados que conquistamos.


Mentalidade não paga contas, não substitui competência e não elimina dificuldades. Mas uma mentalidade derrotista pode destruir oportunidades antes mesmo que elas sejam tentadas.


O Brasil continuará apresentando desafios, independentemente de quem ocupe a Presidência. E os empresários continuarão tendo duas possibilidades: passar os próximos anos justificando seus fracassos pelas circunstâncias ou assumir a responsabilidade de fazer o melhor possível, com inteligência, coragem e determinação.


Mentalidade pode não ser tudo. Mas, sem a mentalidade certa, até aquilo que seria possível se torna impossível.


Portanto, antes de reunir sua equipe, tomar decisões precipitadas ou anunciar tempos sombrios, pergunte a si mesmo: que tipo de líder estou escolhendo ser?


Afinal, a eleição já passou. A vida continua. Os clientes continuam precisando ser atendidos, as pessoas precisam trabalhar, as empresas precisam prosperar e as oportunidades continuam existindo.


A corneta está em suas mãos. Vai tocar para recuar ou para avançar?


Você decide!


Um grAAAnde e fraterno abraço!


Prof. Sérgio Almeida @sergioalmeidaclientologia

Criador da Clientologia e da Fanalização®

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Sérgio Almeida Lima

Sérgio Almeida Lima

Especialista em Atendimento e Relacionamento com o Cliente.

Referência nacional no tema CLIENTE. Criador da CLIENTOLOGIA. Autor do best-seller “Ah! Eu não acredito!”, mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos.

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