InícioColunistasAndré CardosoQUANDO FOI A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ FEZ ALGO PELA PRIMEIRA VEZ?

QUANDO FOI A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ FEZ ALGO PELA PRIMEIRA VEZ?

Problema é quando a experiência, que deveria ampliar nossas possibilidades, começa a funcionar como uma espécie de limite para aquilo que nos permitimos experimentar.
André Cardoso
André Cardoso27 de outubro de 2026
QUANDO FOI A ÚLTIMA VEZ QUE VOCÊ FEZ ALGO PELA PRIMEIRA VEZ?
Ouvir ArtigoReproduzir
0:00
0:00
Acabei de lançar meu primeiro livro, TUDO É SOBRE DECISÃO, aos 52 anos de idade. E, por mais que eu já tenha vivido muitas experiências ao longo da vida, algumas delas bastante desafiadoras, confesso que existe uma sensação muito particular em fazer alguma coisa pela primeira vez. É curioso pensar que, depois de mais de três décadas de vida profissional, de ter trabalhado com vendas, liderado pessoas, desenvolvido negócios, participado de projetos importantes, realizado palestras e vivido tantas situações que exigiram de mim coragem e disposição para aprender, eu esteja agora experimentando algo absolutamente novo. Aos 52 anos, tornei-me autor de um livro. E isso me levou a uma reflexão que quero compartilhar com você: quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez?


Pense um pouco antes de responder. Não estou falando necessariamente de fazer uma viagem para um lugar que ainda não conhece, experimentar uma comida diferente ou conhecer um restaurante novo, embora tudo isso também tenha seu valor. Estou falando de experiências que nos colocam diante de algo que ainda não sabemos fazer, que exigem aprendizado, que despertam inseguranças, que nos obrigam a sair do terreno conhecido e assumir novamente a condição de iniciantes. Quando foi a última vez que você se colocou voluntariamente numa situação assim?


Existe algo interessante no processo de amadurecimento. À medida que os anos passam, vamos acumulando conhecimento, experiências, competências e construindo uma certa segurança sobre quem somos e aquilo que sabemos fazer. Isso é muito bom. Afinal, uma das grandes vantagens de envelhecer é justamente não precisar começar tudo do zero o tempo inteiro. O problema aparece quando essa experiência, que deveria ampliar nossas possibilidades, começa a funcionar como uma espécie de limite para aquilo que nos permitimos experimentar.


Aos poucos, podemos nos tornar muito bons em repetir aquilo que já sabemos fazer e cada vez menos dispostos a enfrentar o desconforto de aprender algo novo. Construímos uma carreira, alcançamos uma posição, desenvolvemos uma reputação e, sem perceber, começamos a proteger tudo isso evitando situações nas quais ainda não somos tão competentes. Afinal, quem já é reconhecido por alguma coisa nem sempre se sente confortável em voltar a ser principiante em outra.


E aqui mora uma contradição. Passamos boa parte da juventude querendo adquirir experiência para conquistar liberdade e, quando finalmente acumulamos essa experiência, corremos o risco de permitir que ela limite a nossa liberdade de experimentar.

No meu caso, escrever um livro não significa que comecei a escrever agora. Há muito tempo escrevo reflexões, compartilho ideias, desenvolvo conteúdos e procuro provocar nas pessoas algum tipo de mudança na maneira de pensar e agir. Mas transformar pensamentos em um livro é uma experiência diferente. Existe uma responsabilidade particular em organizar aquilo que você acredita, dar profundidade aos argumentos e colocar seu nome numa obra que poderá ser lida por pessoas que você sequer conhece. Um livro permanece. Ele carrega ideias que serão interpretadas, questionadas, aceitas ou rejeitadas por quem estiver do outro lado das páginas.


E sabe o que considero especialmente interessante nisso tudo? Eu não precisava escrever um livro para continuar fazendo aquilo que já faço profissionalmente. Poderia seguir trabalhando, realizando minhas mentorias, palestras e desenvolvendo meus projetos sem acrescentar essa experiência à minha história. Minha vida não dependia disso. Mas será que devemos fazer apenas aquilo que precisamos fazer? Será que depois de determinada idade nossas decisões devem ficar restritas ao que é necessário, conhecido e seguro?


Tenho a impressão de que muita gente começa a envelhecer nas suas possibilidades muito antes de envelhecer no corpo. Não porque lhe faltem condições de aprender ou realizar coisas novas, mas porque passa a acreditar que determinadas experiências já não combinam com a idade, com a posição profissional ou com a fase da vida em que se encontra. E então surgem aquelas frases que certamente você já ouviu, talvez até tenha dito alguma delas: “Agora não tenho mais idade para isso”, “Se fosse mais novo, até tentaria”, “Já passei da fase”, “Não vou começar tudo de novo”.


Mas quem determinou que existe uma idade para deixar de começar?


É evidente que a idade muda algumas condições. Seria ingenuidade afirmar que podemos fazer qualquer coisa, em qualquer momento da vida, como se o tempo não tivesse consequências. Existem limitações físicas, responsabilidades familiares, compromissos financeiros e circunstâncias que precisam ser consideradas. Entretanto, reconhecer essas condições é muito diferente de transformá-las numa justificativa automática para não experimentar mais nada.


Aos 52 anos, não sou o mesmo homem que era aos 22 ou aos 32. Tenho outras responsabilidades, outra visão de mundo, experiências que me ensinaram bastante e algumas convicções que foram sendo construídas, testadas e amadurecidas ao longo do caminho. Mas por que tudo isso deveria me afastar de novas experiências? Pelo contrário, talvez seja justamente essa bagagem que me permita viver determinadas primeiras vezes com uma consciência que eu não teria décadas atrás.


Existe também uma questão que considero importante: fazer algo pela primeira vez nos obriga a lidar novamente com a possibilidade de não sermos tão bons quanto gostaríamos. E isso pode incomodar bastante quem já se acostumou a dominar determinadas atividades. Um profissional experiente pode evitar aprender uma nova competência porque não quer enfrentar a dificuldade inicial. Um empresário pode deixar de explorar uma oportunidade porque ela exige conhecimentos que ainda não possui. Alguém pode passar anos desejando desenvolver um projeto pessoal, mas nunca começar porque não suporta a possibilidade de que suas primeiras tentativas não sejam tão boas.


É como se a experiência acumulada criasse uma obrigação de acertar sempre, inclusive naquilo que nunca fizemos.

Ora, como alguém pode aprender alguma coisa nova sem aceitar que, no início, provavelmente não terá o mesmo desempenho que possui naquilo que já domina? Precisamos tomar cuidado para que a necessidade de preservar a imagem de pessoas experientes não nos roube a disposição de continuar aprendendo.


E talvez o medo seja um dos maiores responsáveis por isso. Medo de errar, de ser julgado, de perder dinheiro, de parecer ridículo, de descobrir que não somos tão capazes quanto imaginávamos. Só que existe uma diferença enorme entre reconhecer os riscos de uma experiência e permitir que o medo decida por nós. O medo pode nos ajudar a ter prudência, a estudar melhor, a nos preparar e a avaliar as consequências. O problema é quando ele deixa de ser um alerta e passa a ser o responsável pelas nossas escolhas.


Pense em quantas coisas você já deixou de experimentar porque antecipou um fracasso que nunca aconteceu. Quantas oportunidades descartou sem sequer tentar? Quantas vezes imaginou o julgamento das pessoas e desistiu antes mesmo de descobrir se alguém realmente estaria preocupado com aquilo? E, principalmente, quantas experiências poderiam ter mudado alguma coisa na sua vida se você tivesse aceitado o desconforto natural de começar?


Não quero transformar o lançamento do meu livro numa espécie de prova de que todos precisam escrever um livro, empreender, mudar de profissão ou realizar alguma grande façanha depois dos 50. Não é sobre isso. O que me interessa nessa experiência é perceber que a vida continua oferecendo possibilidades, mas precisamos manter viva a disposição de reconhecê-las e, principalmente, de experimentá-las. Porque uma oportunidade que você nunca se permite explorar acaba tendo o mesmo efeito prático de uma oportunidade que nunca existiu.


Talvez a sua próxima primeira vez seja muito diferente da minha. Pode ser voltar a estudar, aprender um idioma, assumir uma responsabilidade profissional que nunca teve, iniciar um projeto que está guardado há anos, desenvolver uma habilidade ou simplesmente ter coragem de fazer algo que você sempre adiou por acreditar que já havia passado o momento. Pode ser uma mudança pequena aos olhos dos outros, mas enorme para quem precisa vencer determinadas barreiras internas para realizá-la.


E aqui quero fazer uma provocação. Não espere necessariamente sentir segurança para começar. Em muitas situações, a segurança que você procura só será construída depois que começar a fazer. É na experiência que descobrimos dificuldades que não imaginávamos, mas também capacidades que desconhecíamos. Quem exige garantias de que tudo dará certo antes de experimentar algo novo pode acabar passando a vida inteira esperando por uma condição que dificilmente existirá.


Experimente. Estude, prepare-se, avalie os riscos, mas experimente. Aceite não saber tudo. Aceite precisar perguntar, aprender, corrigir e até recomeçar. Não permita que a opinião de quem está apenas assistindo à sua vida tenha mais influência sobre suas decisões do que a sua própria vontade de construir algo novo. E não transforme a idade, a posição profissional ou as conquistas que já possui numa prisão que impeça você de continuar descobrindo do que é capaz.


Tenho visto pessoas que parecem ter encerrado suas possibilidades muito cedo, enquanto outras continuam curiosas, aprendendo e se colocando diante de novos desafios mesmo depois de uma vida inteira de realizações. A diferença nem sempre está nas condições que possuem, mas na maneira como se posicionam diante daquilo que ainda não conhecem.


Talvez você não consiga controlar o resultado de uma nova experiência. Talvez descubra que aquilo não era exatamente o que imaginava. Pode ser que erre, que precise mudar os planos ou que decida não continuar. Tudo isso faz parte. Mas existe uma diferença importante entre descobrir que um caminho não é para você depois de experimentá-lo e passar anos imaginando o que poderia ter acontecido se tivesse tido coragem de tentar.


Por isso, quero te convidar a fazer um exercício. Pense em alguma coisa que você gostaria de experimentar, mas vem adiando. Não precisa contar para ninguém, nem fazer uma grande declaração nas redes sociais. Apenas reconheça o que é, procure entender o que realmente está impedindo você de começar e dê um primeiro passo. Talvez seja uma conversa, uma inscrição, uma pesquisa, uma decisão ou simplesmente reservar algum tempo para aquilo que você diz querer fazer há tanto tempo.


E já que foi o lançamento do meu primeiro livro que provocou toda essa reflexão, aproveito para fazer um convite. Se você se identifica com essas inquietações sobre escolhas, coragem, responsabilidade e a necessidade de assumir o protagonismo da própria vida, quero convidá-lo a conhecer TUDO É SOBRE DECISÃO. O livro reúne muito daquilo que venho aprendendo e defendendo ao longo da minha trajetória, especialmente sobre como nossas decisões e a capacidade de sustentá-las influenciam os resultados que construímos. Você pode adquirir seu exemplar pelo link disponível na bio do meu Instagram, @andrecardoso_ac.


Mas, independentemente de comprar ou não o meu livro, gostaria que você saísse desta leitura com uma inquietação. Não permita que a sua história se transforme apenas numa coleção de experiências passadas. Valorize tudo aquilo que já viveu, orgulhe-se do que construiu, aprenda com os erros e reconheça suas conquistas, mas não confunda ter uma história com ter terminado de escrevê-la.


Ainda existem coisas que você não sabe, lugares onde nunca esteve, habilidades que não desenvolveu, pessoas que não conheceu e experiências que talvez nem consiga imaginar hoje. Algumas delas poderão não dar certo, outras poderão surpreender você. Mas dificilmente descobrirá quais são se continuar fazendo apenas aquilo que já conhece.


Quando foi a última vez que você fez alguma coisa pela primeira vez? E, principalmente, quanto tempo ainda pretende esperar para fazer a próxima?

Compartilhe este artigo

André Cardoso

André Cardoso

Diretor de Expansão na Wise Up | Mentor e Palestrante em Vendas, Liderança e Negócios

30+ anos construindo vendas, líderes e negócios. Transformo experiência prática em conteúdo, mentorias e palestras sobre liderança, vendas e comportamento.

Comentários

...

Carregando comentários...

Deixe seu comentário

0 / 150

Máximo 150 caracteres. Seu e-mail não será publicado.