POR QUEM

O por quem precisa estar presente tanto nos dias em que estamos caídos no ringue quanto naqueles em que levantamos os braços depois da vitória.
André Cardoso
André Cardoso19 de outubro de 2026
POR QUEM
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Ontem foi o aniversário da minha esposa e pensem numa pessoa que ama celebrar o aniversário. Pensaram? É ela mesma. Eu particularmente curto o dia do aniversário dela não apenas por ser a celebração de mais um ano de vida de uma pessoa que tanto amo, mas pela alegria com que ela comemora cada ligação, cada mensagem, seja nos grupos de WhatsApp, no direct ou até nos comentários de um post de felicitações no Instagram. Se alguém lembrou dela e dedicou um tempinho para colocar um emoji, ela já se sente abraçada e feliz pelo gesto de carinho. E eu fico ali, observando tudo isso, feliz por vê-la tão feliz.


Quando a data do aniversário dela vai se aproximando, começo a pensar no que posso fazer, em como tornar ainda mais especial algo que para ela já é tão especial. Já fizemos cruzeiro pelas ilhas gregas, já curtimos Cancún, já fizemos festas, viagens com a família toda, irmã, cunhado, sobrinhos, filhos e companhia, para uma casa em frente à praia. Este ano, foi a vez de alugar uma lancha para comemorar em alto-mar com pessoas queridas. E, de novo, como é bom vê-la feliz e festejando! Nesses momentos, todas as batalhas, todas as lutas, todas as derrotas, todas as frustrações e, principalmente, todas as vitórias que me permitem, como marido, proporcionar essas alegrias fazem todo o sentido do mundo. Ver aquele sorriso me inspira, motiva e alimenta a seguir para as próximas lutas, para gerar ainda mais sorrisos e realizações para alguém que amo.


Eu acredito profundamente na importância de ter um por quem para quem está travando suas lutas para vencer, crescer e dar certo, seja no que for e onde for. E não estou falando apenas de ter pessoas que amamos ao nosso lado, mas de compreender o quanto essas pessoas podem dar um sentido ainda maior àquilo que fazemos, aos sacrifícios que enfrentamos e às decisões que precisamos sustentar, principalmente quando as coisas ficam difíceis.


Gosto muito de pensar numa cena do filme Rocky Balboa, quando ele está lá, caído no ringue, todo arrebentado depois de rounds massacrantes. Na minha lembrança daquela cena, enquanto ele está no chão, a narrativa nos leva ao que passa pela sua mente, às pessoas e aos motivos pelos quais ele está ali. E é justamente nesse por quem que ele encontra forças para levantar, porque naquele momento a luta deixa de ser apenas sobre ele. É também sobre quem não poderia estar ali, no lugar dele, fazendo aquilo que só ele poderia fazer.


E aqui está um ponto que considero muito importante. Quando estamos apenas nós por nós mesmos, existe uma chance enorme de, ao cairmos com a cara no chão do ringue, começarmos a pensar se realmente vale a pena levantar. Afinal, levantar significa continuar apanhando, continuar sentindo dor, continuar enfrentando algo que naquele momento parece maior do que nossas forças. E, convenhamos, quando a dor aperta, desistir pode parecer uma alternativa bastante razoável. Mas quando temos um por quem forte e verdadeiro o suficiente, algo muda dentro de nós. A dor de fracassar com quem amamos, de não conseguir proporcionar aquilo que sonhamos para essas pessoas, pode se tornar maior do que a dor de continuar lutando. E o ser humano, muitas vezes, acaba escolhendo aquilo que acredita que vai doer menos.


É claro que amar alguém não significa assumir a obrigação de vencer todas as batalhas ou de jamais fracassar. Ninguém consegue isso. Também não significa que o valor de uma pessoa esteja condicionado àquilo que ela consegue oferecer materialmente a quem ama. O que estou dizendo é que, quando existe um por quem, encontramos uma razão que ultrapassa nossos interesses individuais e que pode nos ajudar a suportar momentos nos quais a nossa própria vontade já não parece suficiente.


Ao meu ver, a ausência de um por quem tira mais da metade do sentido de muitas ações que exigem tudo de nós. O por quem alimenta, fortalece, impulsiona e dá um significado que vai além da conquista em si. Você pode conquistar riquezas, e isso é uma conquista, sem sombra de dúvidas. Pode construir um grande patrimônio, comprar aquilo que sempre desejou, alcançar posições importantes e ter acesso a experiências que antes pareciam distantes. Tudo isso tem seu valor. Mas quando você tem um por quem, seja cônjuge, filhos, pais ou qualquer outra pessoa importante na sua vida, a conquista ganha uma dimensão diferente. Depois da satisfação de ter conquistado algo, vem a possibilidade de proporcionar felicidade a alguém, de ver um sorriso, de oferecer um tratamento de saúde, de proporcionar cuidado, conforto, segurança, reconhecimento ou simplesmente realizar um sonho de quem você ama.


E convenhamos, isso muda o jogo e o valor da conquista em si.


Pense no que representa comprar algo que você sempre desejou. Agora pense no que representa poder oferecer a alguém que ama alguma coisa que essa pessoa desejou durante anos, mas nunca teve condições de realizar. Pense na alegria de conquistar uma condição financeira melhor e, por meio dela, poder cuidar dos seus pais quando eles já não têm a mesma força de antes. Ou de proporcionar aos seus filhos oportunidades que você não teve. Ou ainda de poder olhar para a pessoa que esteve ao seu lado nas fases mais difíceis e dizer, através das suas ações, que todo aquele esforço também foi por ela.


Existe uma satisfação muito particular em perceber que aquilo que conquistamos não termina em nós. A vitória continua produzindo resultados na vida de outras pessoas e, de alguma maneira, isso faz com que ela se torne ainda maior.


Talvez seja por isso que a comemoração do aniversário da minha esposa tenha tanto significado para mim. Não é sobre o cruzeiro, Cancún, a festa ou a lancha. Essas coisas são apenas os meios. O que realmente importa é olhar para ela e perceber sua alegria, sua felicidade por estar cercada de pessoas queridas, celebrando a vida. E saber que, de alguma maneira, minhas escolhas, meu trabalho, minhas lutas e até algumas renúncias ajudaram a tornar aquele momento possível. É nessa hora que muita coisa que foi difícil ao longo do caminho passa a fazer ainda mais sentido.


E tem outro aspecto do por quem que considero igualmente importante. Ele não serve apenas para nos lembrar por que precisamos continuar lutando. Serve também para nos lembrar de quem somos quando começamos a vencer. Porque as conquistas, quando não são bem administradas, podem alimentar uma vaidade capaz de nos fazer esquecer justamente das pessoas que deram sentido a tantas das nossas batalhas. De que adianta vencer tanto e, no processo, perder a capacidade de compartilhar a vitória com quem esteve conosco? De que adianta conquistar o mundo e não ter mais tempo, atenção ou disposição para aqueles por quem dizíamos estar lutando?


O por quem precisa estar presente tanto nos dias em que estamos caídos no ringue quanto naqueles em que levantamos os braços depois da vitória.


Por isso, quero te desafiar a pensar nos seus por quem e a não tirá-los da sua frente. Coloque uma foto na tela do celular que você usa para se conectar com o mundo o tempo todo, no papel de parede do computador, sobre a mesa de trabalho, enfim, em algum lugar que faça você se lembrar, especialmente nos momentos de desafio e de baixa, de quem também está representado naquela luta. Não como um peso ou uma cobrança adicional, mas como uma lembrança de que existe algo muito valioso para além da dor que você está sentindo naquele momento.


E quando vierem as vitórias, olhe novamente para essas pessoas. Lembre-se de que elas também fazem parte da sua história e de que nenhuma conquista deveria ser grande o suficiente para fazer você se distanciar daquilo que realmente importa.


Se você acha que não tem um por quem, pense melhor. Talvez ainda não tenha percebido quem está sendo alcançado, inspirado ou beneficiado pelo que você faz. Talvez exista alguém esperando uma oportunidade que a sua vitória poderá proporcionar. E talvez esse alguém ainda nem tenha chegado à sua vida.


Só não permita que, no meio de tantas lutas para chegar a algum lugar, você se esqueça de uma das razões mais bonitas pelas quais vale a pena continuar.


Por quem você está no ringue?

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André Cardoso

André Cardoso

Diretor de Expansão na Wise Up | Mentor e Palestrante em Vendas, Liderança e Negócios

30+ anos construindo vendas, líderes e negócios. Transformo experiência prática em conteúdo, mentorias e palestras sobre liderança, vendas e comportamento.

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