Essa talvez seja uma das frases mais repetidas dentro das empresas. E, paradoxalmente, uma das menos inteligentes.
Quando alguém diz: “Pelo que eu ganho, eu faço até demais”, acredita que está prejudicando a empresa. Na verdade, o primeiro prejudicado é ele próprio.
Quem faz corpo mole, entrega apenas o mínimo ou trabalha sem entusiasmo está desperdiçando a maior oportunidade de crescimento que existe: construir a própria reputação.
Existe um antigo ditado popular que resume perfeitamente essa realidade: quem boa cama faz, nela se deita. A qualidade daquilo que entregamos hoje determina, em grande parte, o futuro que construiremos amanhã.
Os profissionais extraordinários compreenderam uma verdade simples: eles negociam um resultado, mas procuram entregar muito mais. Prometem X e entregam 3X. Fazem isso não apenas pela empresa ou pelo Cliente, mas principalmente por si mesmos. Cada atendimento, cada tarefa, cada projeto é um investimento na própria marca pessoal.
No futebol brasileiro existe um episódio bastante conhecido. Em meio a uma grave crise financeira, com salários atrasados, o então jogador Vampeta justificou o mau desempenho da equipe com uma frase que entrou para a história: “Eles fingem que me pagam, e eu finjo que jogo.”
Embora o desabafo tivesse relação com um problema real, a lógica por trás desse comportamento é extremamente perigosa.
Imagine se, justamente naquele jogo, houvesse um observador do Barcelona, do Real Madrid, do Manchester United ou de um grande clube do futebol árabe procurando novos talentos. Ao decidir “fingir que joga”, quem perderia a oportunidade seria o próprio atleta.
A vida funciona exatamente da mesma forma.
Nunca sabemos quem está nos observando. Pode ser um Cliente, um futuro empregador, um parceiro de negócios ou alguém disposto a abrir uma porta extraordinária. O mundo recompensa quem entrega excelência de forma consistente.
Isso não significa aceitar injustiças. É absolutamente legítimo reivindicar melhores salários, cobrar reconhecimento, negociar melhores condições e até procurar uma empresa que valorize mais o seu trabalho. O que não faz sentido é transformar a própria carreira em vítima dessas circunstâncias.
Enquanto você permanece ali, faça o seu melhor.
Ao agir assim, você fortalece sua competência, aumenta sua autoestima, desenvolve disciplina, amplia sua rede de admiradores e constrói uma reputação que dinheiro nenhum compra.
Ao longo de mais de quatro décadas como consultor, presenciei inúmeras histórias que comprovam esse princípio.
Lembro-me de uma jovem caixa de delicatessen que atendia todos os Clientes com alegria genuína, atenção e carinho. Uma médica obstetra, encantada com a forma como era recebida todas as semanas, aproximou-se dela e disse:
— Quando chegar o seu bebê, o parto será um presente meu.
A atendente ficou emocionada. Sua excelência havia ultrapassado o balcão e retornado em forma de generosidade.
Já vi Clientes oferecerem empregos, promoções, bolsas de estudo, indicações valiosas, presentes, viagens e oportunidades inesperadas simplesmente porque foram profundamente impactados pela forma como alguém trabalhou.
Costumo brincar que entregar o melhor de si pode até gerar casamento.
Nada disso estava previsto em contrato.
Era consequência natural da excelência.
O universo costuma devolver, de maneiras surpreendentes, aquilo que lançamos para ele. Chame de lei da ação e reação, semeadura e colheita, reciprocidade ou simplesmente consequência. O nome pouco importa. O princípio permanece o mesmo: quem planta mediocridade dificilmente colherá excelência. Quem planta excelência aumenta enormemente as chances de colher prosperidade.
Por isso, nunca condicione o seu melhor ao salário, ao chefe, ao Cliente ou ao ambiente.
Condicione o seu melhor aos seus próprios valores.
Porque, no final das contas, você nunca trabalha apenas para a empresa. Você trabalha para construir a pessoa que está se tornando.
Plante sementes extraordinárias.
Os frutos, mais cedo ou mais tarde, sempre aparecem.
Um grAAAnde e fraterno abraço.
Prof. Sérgio Almeida @sergioalmeidaclientologia
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