Profissionais liberais, prestadores de serviço, micro, médios e grandes empresários formam a base que sustenta a economia brasileira. Geram riqueza, mantêm empregos, pagam impostos e financiam o funcionamento do Estado. Ainda assim, permanecem distantes dos espaços onde as decisões são tomadas.
Essa contradição não tem relação com ideologia política. Tem relação direta com organização.
Enquanto alguns grupos compreenderam, há muito tempo, o poder da união, da estratégia e da atuação coordenada, a classe produtiva ainda não entendeu a dimensão da própria força. De um lado, grupos organizados, com direção clara e presença estruturada. Do outro, uma maioria fragmentada, que não atua como um corpo.
O problema não está na quantidade. O Brasil tem milhões de empresários, profissionais liberais e produtores. O problema está na ausência de alinhamento. Falta estratégia conjunta. Falta atuação coordenada na defesa de interesses comuns.
E o efeito disso é previsível. Grupos menores, mas organizados, ocupam os espaços de poder, influenciam decisões e definem rumos que impactam diretamente quem sustenta a economia real.
A parte mais dura é reconhecer que a classe produtiva financia o sistema, mas não define seus caminhos. Mesmo com confederações, federações, associações e sindicatos com estruturas formais e recursos disponíveis, ainda há um vazio de articulação efetiva, especialmente no Congresso Nacional.
E o poder não fica vazio. Quem se organiza ocupa; quem não se organiza assiste. Ou, pior, paga para ser governado por quem se organizou melhor.
Não falta força à classe produtiva. Falta consciência dessa força.
No fim, a equação é simples: o futuro do Brasil não será decidido por quem tem mais recursos, mas por quem tem mais organização.
A pergunta permanece direta e inevitável: isso é da nossa conta ou vamos continuar assistindo?

