Salvador, BA terça-feira, 5 de maio de 2026
InícioColunistasPaulo Sergio Costa Pinto CavalcantiQuando a solidariedade vira ingratidão

Quando a solidariedade vira ingratidão

Pelo reconhecimento da autoestima cidadã produtiva: porque sem produção de riqueza não há justiça social, e sem reconhecimento não há futuro coletivo
Quando a solidariedade vira ingratidão
Ouvir ArtigoReproduzir
0:00
0:00
Virou frase comum no Brasil afirmar que o assistencialismo é um "direito" porque "é o governo que dá". A frase parece justa, quase generosa, mas carrega um erro grave, econômico, moral e social. Não existe fábrica de dinheiro no fundo do palácio presidencial. Nenhum governo, de esquerda ou de direita, cria riqueza do nada. O dinheiro não nasce em Brasília. Ele nasce do trabalho, da produção e do esforço diário da sociedade.

O governo não produz riqueza. Ele apenas administra, bem ou mal, aquilo que a sociedade gera. Todo recurso usado em políticas públicas vem dos impostos pagos por todos nós. Está no pão, no gás, na luz, no remédio, no aluguel, no salário. Vem do trabalhador, do pequeno comerciante, do agricultor, do empreendedor, do informal que luta para sobreviver.

Quando essa realidade é ignorada, não se trata apenas de desinformação econômica. Trata-se de uma injustiça moral. Apaga-se o esforço coletivo, transforma-se solidariedade em obrigação cega, desestimula-se quem produz e cria-se a inversão mais perigosa: o governante passa a ser visto como benfeitor, enquanto quem produz e realmente paga a conta passa a ser tratado como vilão.

É assim que nasce a criminalização da classe produtiva. É assim que se destrói a autoestima de quem gera riqueza, emprego e imposto. O país passa a tratar quem trabalha como problema, e não como solução.

Receber ajuda quando se precisa é humano e legítimo. O erro está em negar a origem dessa ajuda. O erro está em esquecer quem paga a conta. Sem produção não existe justiça social. Sem trabalho não existe dignidade coletiva. Valorizar quem produz não é elitismo; é honestidade, maturidade social e gratidão. Enquanto o Brasil não entender isso, seguirá preso a ilusões confortáveis. E isso, gostemos ou não, é da nossa conta.

--


Paulo Cavalcanti
Presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia, Empresário, advogado e palestrante. Autor dos livros 'E aí? Isso é da minha conta?'. e Inteligência Cidadã - O que nos falta para transformar
Fundador da @viacidada 

Compartilhe este artigo

Paulo Sergio Costa Pinto Cavalcanti

Paulo Sergio Costa Pinto Cavalcanti

Empresário, Advogado, Filósofo e Escritor

Empresário, advogado, escritor e ativista da função social da empresa, ocupa cargos de liderança em entidades como ACB, FACEB, CACB e Sebrae.

Comentários

...

Carregando comentários...

Deixe seu comentário

0 / 150

Máximo 150 caracteres. Seu e-mail não será publicado.

WhatsApp