Um burro era usado para carregar peso. Dia após dia, colocavam mais carga. Sempre havia uma justificativa: "é só mais um pouco", "ele aguenta", "depois a gente alivia".
O burro seguia andando, não porque era fraco, mas porque era resistente. Até que um dia a carga ficou pesada demais, o burro caiu, e o prejuízo foi total.
A lição é simples: não é o peso isolado que destrói; é o acúmulo do abuso.
O Brasil vive exatamente isso. Pagamos imposto em tudo. No que ganhamos, no que consumimos, no que produzimos, no que investimos. Pagamos no que doamos e até no que tentamos construir.
Pagamos quando trabalhamos, quando compramos comida, quando adoecemos e quando tentamos empreender. Pagamos quando sobra e até quando não sobra.
E, mesmo assim, sempre dizem que ainda não é suficiente. E assim, nos empurram mais imposto, mais taxa, mais "contribuição temporária", mais "ajuste necessário". Sempre mais carga sobre o mesmo burro.
Enquanto isso, o outro lado da equação permanece intacto: corrupção, desvios, escândalos recorrentes, ineficiência crônica, instituições que falham, não respondem, criam sigilo e escondem.
Nós pagamos, eles desperdiçam. Pagamos de novo, eles desviam. E a resposta oficial é sempre a mesma: "o cidadão precisa fazer sua parte".
Mas espera... que parte é essa que só o cidadão cumpre? Afinal, quando falta saúde, a culpa é da "demanda"; quando falta educação, a culpa é da "família"; quando falta segurança, a culpa é da "sociedade"; quando o sistema quebra, a culpa é de quem produz.
A culpa nunca é do sistema, da má gestão, da corrupção sistêmica ou de quem governa mal.
E não venha com essa história de direita ou esquerda. Aqui não cabe ideologia. É tudo cultural.
Quem paga imposto não é partido. É o povo, o trabalhador, o empresário, o informal, o jovem e o aposentado. É você.
O problema não é o burro; é a carga injusta. Não é a falta de força; é o excesso de peso.
Toda sociedade tem um limite. E explorar a resistência não é governar; é empurrar para o colapso.
Por isso, sim: isso é da sua conta. Porque quando o burro cai, o prejuízo não é apenas de quem colocou a carga. É de todos.
O Brasil não começa em Brasília. Não começa no Congresso nem no Supremo. O Brasil começa em mim, começa em você.
E a pergunta que fica é simples, direta e inevitável: E aí? Isso é da nossa conta?
Até quando vamos assistir passivos em quanto colocam mais carga no burro?
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Paulo Cavalcanti
Presidente do Conselho Superior da Associação Comercial da Bahia, Empresário, advogado e palestrante. Autor dos livros 'E aí? Isso é da minha conta?'. e Inteligência Cidadã - O que nos falta para transformar
Fundador da @viacidada
Presidente da @fundacaopaulocavalcanti

