Não é porque você se encaixa, que o lugar serve para você. Muitas vezes, ao olharmos para a nossa semana, sentimos um cansaço que o sono não é capaz de resolver; um peso que não parece vir do volume de trabalho, mas da natureza dele. Esse esgotamento nasce da tentativa persistente de ocupar um espaço que não nos pertence, sacrificando nossa essência em nome de uma estrutura pré-estabelecida ou de uma "receita de sucesso" que ignora as particularidades de quem lidera.
No dia a dia do meu trabalho, percebo que muitos empresários vivem mergulhados em uma rotina de sobrevivência apenas para manter seus negócios vivos, tentando se moldar a conceitos e treinamentos que nem sempre refletem sua realidade.
O esforço contínuo para se adaptar a um ambiente, método ou persona que nega quem você realmente é, gera um desgaste profundo no corpo e na mente. No empreendedorismo, manter-se "disfarçado" sob moldes alheios consome uma energia preciosa que deveria ser usada na tomada de decisão estratégica e na criatividade. Tentar ser quem você não é gera um estado de alerta constante, elevando o estresse e bloqueando sua capacidade de enxergar novas oportunidades.
Essa busca por soluções externas muitas vezes leva o empresário a investir em capacitações genéricas que prometem resultados mágicos, mas que não consideram a fundo o perfil de quem está no comando.
Quando o profissional tenta aplicar uma ferramenta engessada e não obtém o resultado prometido, a culpa injustamente recai sobre ele, alimentando um ciclo de frustração e um falso sentimento de incompetência. Por isso, é preciso ficar atento: o sucesso de uma estratégia depende da sintonia entre o perfil do líder e o modelo escolhido para o negócio. Afinal, nem todas as ferramentas ou métodos possuem aplicabilidade universal.
Eu acredito que o papel de um consultor, mentor ou treinador não deve ser o de fornecer uma casca rígida para o empresário habitar, colocando todos no mesmo nível, mas sim o de iluminar o caminho individual de cada líder e gestor, para que eles construam sua própria estrutura de gestão.
A verdadeira gestão do tempo não é uma luta contra as horas do relógio, mas uma harmonização da nossa energia vital. O custo de oportunidade da inautenticidade é o mais caro de todos: o tempo que você gasta tentando ser eficiente em padrões que não são seus é o exato tempo que você perde de performar em sua potência máxima. Na gestão estratégica de vida e carreira, servir para o mercado não deve significar anular sua forma original. É preciso coragem para assumir o controle da própria agenda com base no que é essencial para o SEU crescimento e para a saúde do SEU negócio. Afinal, se você está gastando todo o seu tempo tentando se ajustar em padrões que te apertam, quanto tempo sobra para você, de fato, liderar?
Olhando para a sua agenda
hoje, você sente que ela é uma estrutura que potencializa seus talentos ou um padrão de mercado que aprisiona a sua verdadeira essência?
Sueli Coelho
Especialista em Gestão do Tempo, Mentora, Consultora de Negócios, Escritora, Palestrante, Contadora, Terapeuta Empresarial e Colunista do Portal BahiaBahia.
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