No ambiente dos negócios, principalmente onde existe visibilidade, influência e construção de imagem, a palavra “parceria” é usada o tempo todo. E, justamente por isso, perdeu força. Nem tudo que se chama parceria, de fato, é. A pergunta que precisa ser feita é simples: existe construção conjunta ou apenas interesse pontual e unilateral?
Eu precisei viver algumas situações recentes para entender, de forma muito concreta e nada confortável, que nem toda parceria é construída sobre verdade, porque durante muito tempo eu acreditei talvez até com uma certa ingenuidade, que caminhar junto significava, necessariamente, dividir decisões, alinhar expectativas e sustentar uma construção com responsabilidade mútua, mas a realidade, silenciosa e firme, vai mostrando que, em muitos casos, o que se chama de parceria é apenas uma proximidade conveniente que se mantém enquanto existe interesse, visibilidade ou algum tipo de vantagem envolvida.
E é curioso perceber que essas relações nunca se revelam nos momentos bonitos, nas fotos bem posicionadas ou nas trocas aparentemente alinhadas, porque tudo isso pode ser facilmente construído para fora, mas é nos bastidores, quando as decisões começam a ser tomadas sem diálogo, quando a comunicação deixa de existir e quando o silêncio passa a ocupar o espaço que deveria ser da clareza, que a verdade aparece sem esforço, quase como um incômodo que não pode mais ser ignorado.
Não se trata de discordar, porque relações maduras comportam diferenças, comportam visões distintas e até caminhos divergentes, mas o que não se sustenta e o que, inevitavelmente, desgasta é a ausência de transparência, é a falta de uma conversa direta, é a escolha de não alinhar aquilo que deveria ser dito, como se evitar o desconforto momentâneo fosse mais importante do que preservar a integridade de uma relação construída.
E nesse ponto, o silêncio deixa de ser neutro, porque, como disse Jean-Paul Sartre, o silêncio é uma escolha, e toda escolha carrega uma intenção, um posicionamento e, principalmente, uma mensagem, ainda que não verbalizada, e quando alguém escolhe não falar, não alinhar e não se responsabilizar pelo que está sendo construído em conjunto, essa escolha revela mais do que qualquer discurso poderia tentar sustentar.
Talvez o mais difícil não seja perceber isso, mas aceitar, porque aceitar significa reconhecer que nem toda relação foi o que parecia ser, que nem toda troca foi tão equilibrada quanto se imaginava e que, muitas vezes, o que existia não era uma parceria, mas uma dinâmica sustentada por conveniência, o que exige maturidade para não insistir, para não tentar corrigir sozinho o que nunca foi realmente compartilhado e, principalmente, para não se perder tentando sustentar algo que já não se sustenta por si.
A pesquisadora Brené Brown afirma que clareza é gentileza, e essa frase, que parece simples à primeira vista, carrega uma profundidade enorme quando aplicada às relações profissionais, porque ser claro exige coragem, exige responsabilidade e exige respeito pelo outro, enquanto a ausência dessa clareza cria exatamente o cenário oposto, onde surgem expectativas desalinhadas, ruídos desnecessários e uma sensação constante de que algo está fora do lugar, mesmo quando ninguém fala abertamente sobre isso.
E é nesse momento que a decisão precisa ser tomada, não a partir da emoção, não a partir do impulso, mas a partir da consciência de que permanecer em um espaço onde não existe reciprocidade não é estratégia, não é maturidade e não é resiliência, é apenas concessão, e concessões repetidas, ao contrário do que muitos acreditam, não fortalecem relações, mas enfraquecem posicionamentos e diluem a própria identidade de quem aceita permanecer.
Eu não escrevo isso de um lugar de reação, mas de entendimento, porque existe uma diferença muito grande entre reagir ao que acontece e compreender o que aquilo revela, e o que essas experiências revelaram para mim é simples, ainda que não seja fácil: eu não preciso permanecer onde não existe clareza, não preciso sustentar relações que não se sustentam nos bastidores e, sobretudo, não preciso negociar valores que são base de tudo o que eu construo.
Seguir, nesse contexto, não é um rompimento impulsivo, mas uma escolha consciente, porque existe uma diferença fundamental entre estar junto e estar alinhado, e quando o alinhamento deixa de existir, o afastamento deixa de ser uma perda e passa a ser coerência, e coerência, quando é mantida, não fragiliza, não diminui e não compromete ela fortalece, posiciona e, inevitavelmente, constrói reputação.
No final, talvez nunca seja sobre o que foi dito, mas sobre tudo aquilo que, mesmo sem palavras, ficou claro.
Por July Lopes

