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Entre a consciência tranquila e a mente inquieta

A autocobrança de quem escolhe o caminho certo e paga o preço emocional por isso
HELENA SILVEIRA
HELENA SILVEIRA10 de abril de 2026
Entre a consciência tranquila e a mente inquieta
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Há uma verdade pouco dita, talvez por pudor, talvez por cansaço, de que ser uma pessoa honesta, ética e comprometida tem um custo silencioso. Não falo apenas de dinheiro, embora ele também entre nessa conta, mas do preço emocional que se paga por querer fazer tudo certo em um mundo que, muitas vezes, parece premiar justamente o contrário. Quem anda na linha sabe que não é fácil dormir quando a consciência é leve, mas a mente é pesada.


Existe uma cobrança interna quase permanente. Uma voz que não se cala, que revisa decisões, refaz contas e antecipa problemas que ainda nem chegaram. É a autopressão de quem não admite falhar consigo mesma, de quem carrega o peso de cumprir compromissos financeiros, profissionais e morais como se fossem cláusulas pétreas da própria existência. E, veja bem, não se trata de perfeição, mas de responsabilidade levada ao extremo.


Enquanto isso, há quem atravesse a vida com uma leveza curiosa, quase invejável. Pessoas que burlam regras, que fazem “ajustes criativos” na ética, que vivem de atalhos e, ainda assim, parecem dormir profundamente, sem sobressaltos. Talvez durmam mesmo. Talvez a ausência de autocobrança seja o verdadeiro travesseiro macio de quem escolhe não olhar muito para dentro. No entanto, essa leveza, para quem tem princípios sólidos, não é uma opção e nem deveria ser.


O desafio, portanto, não é deixar de ser quem se é, mas aprender a equilibrar essa régua interna. Viver em constante estado de alerta, de cobrança e de tensão não é virtude, é desgaste. Torna-se necessário encontrar um ponto de respiro entre dar conta de tudo e também cuidar de si mesmo. Nem toda responsabilidade precisa se transformar em angústia, nem todo compromisso precisa ser carregado como um fardo existencial.


Talvez a maturidade esteja justamente em entender que ser honesto não exige sofrimento constante. Cumprir deveres não significa se punir emocionalmente. A ética deve ser uma base firme, mas não uma prisão mental. É possível dormir com a consciência tranquila e também com a mente em paz, ainda que isso exija um exercício diário de equilíbrio.


No fim das contas, a grande questão não é sobre quem dorme melhor, mas sobre como queremos acordar todos os dias. Há uma diferença profunda entre viver leve por ignorância e viver em paz por escolha. E, para quem escolhe o caminho certo, talvez o maior aprendizado seja este: aliviar a própria cobrança não diminui o caráter, apenas humaniza a caminhada.


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Helena Silveira

Pedagoga, Empresária, Especialista em Adm. e Marketing/Terapias Cognitivo Comportamentais, Artesã (Apaixonada por crochê)

@helenaquenaoedetroia / @tudodehelena / @portalbahiabahia/


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MARKETING

Pedagoga, Empresária, Especialista em Adm. e Marketing/Terapias Cognitivo Comportamentais, Artesã (Apaixonada por crochê) @helenaquenaoedetroia

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