Na Unesp, um carro estacionado de forma irregular bloqueou a saída de um ônibus. Sem guincho ou qualquer equipamento, os estudantes se aproximaram, se organizaram e, juntos, conseguiram levantar e deslocar o veículo com as próprias mãos.
O carro não foi movido pela força de uma única pessoa, mas pela união de várias. Cada estudante fez uma pequena parte, e o esforço coletivo tornou possível o que parecia ser impossível.
Essa imagem também nos faz pensar nas mulheres que enfrentam situações de violência. Muitas estão cercadas de pessoas, mas carregam sozinhas o medo, a vergonha, as ameaças e a insegurança. Por isso, em vez de perguntar “por que ela não foi embora?”, precisamos perguntar: “Como podemos ajudá-la?”
Uma amiga deve acreditar. A família deve acolher. Um vizinho deve pedir ajuda. A escola, a universidade, o trabalho e os serviços públicos devem formar uma rede de proteção.
Não devemos esperar que uma mulher grite ou apareça machucada para reconhecer que ela está sofrendo. Muitas vezes, os sinais aparecem no silêncio, no medo e nas mudanças de comportamento.
Quando dividimos o peso, uma mulher deixa de enfrentar a violência sozinha. Seja a presença que acolhe, a voz que acredita e a mão que ajuda antes que seja tarde.

