Chiquinha Gonzaga foi educada para cumprir o destino reservado às mulheres de sua época: casar, cuidar da casa, ter filhos e permanecer em silêncio. Aos 16 anos, foi imposto o casamento com Jacinto Ribeiro do Amaral, mas encontrou no piano uma forma de expressão e autonomia que o marido não aceitava. Para ele, a música parecia disputar a atenção da esposa e ameaçar o papel que esperava que ela desempenhasse.
Ao decidir abandonar o casamento, Chiquinha enfrentou rejeição familiar, condenação moral e o julgamento de uma sociedade que tolerava a infelicidade feminina, mas não aceitava uma mulher escolhendo a própria liberdade. Ela trabalhou como professora de piano, pianista e compositora, ocupando espaços predominantemente masculinos e construindo uma trajetória inédita na música brasileira.
Autora de cerca de trezentas composições, Chiquinha também criou “Ó Abre Alas”, considerada a primeira marchinha carnavalesca do Brasil. Sua história ultrapassa as partituras: revela a coragem de uma mulher que se recusou a desaparecer dentro de um papel imposto. Ao escolher a música, Chiquinha escolheu a si mesma — e abriu caminhos para muitas outras mulheres. Faça como Chiquinha: transforme o que tentaram silenciar em voz, trabalho e caminho — Toda vez que uma mulher escolhe não desaparecer para caber na expectativa de alguém, a porta da liberdade se abre para outras mulheres.

