Basta de Feminicídio

A médica Gassi Mazia foi assassinada pelo marido dentro do próprio apartamento, em Maringá, no Norte do Paraná.
ELLEN POSSIDONIO
ELLEN POSSIDONIO11 de setembro de 2026
Basta de Feminicídio
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Gassi Mazia era médica, servidora pública, trabalhava na Unidade Básica de Saúde Nova Aliança, em Sarandi, e era mãe de um bebê de apenas oito meses.

Na noite de 5 de setembro, um familiar ouviu o choro da criança e foi até o imóvel. Como não conseguiu contato com quem estava lá dentro, precisou arrombar a porta, então encontrou o bebê chorando próximo ao corpo da mãe.

Uma cena que nenhuma criança deveria viver. Uma imagem que a família jamais conseguirá esquecer.

Segundo o delegado, Gassi e o marido estavam separados. Ele teria ido ao apartamento para visitar o filho e tentava reatar o relacionamento. Durante a visita, os dois discutiram e, conforme as investigações, ele a atacou. Depois, foi localizado em Mandaguari, ferido, e preso em flagrante.

O feminicídio não destrói apenas uma vida. Destrói futuros inteiros.

Um filho perde a mãe antes mesmo de compreender o significado dessa ausência. Perde o colo, a voz, o cuidado, os abraços e todas as histórias que ainda poderiam viver juntos.

Os pais perdem a filha. A família perde aniversários, conversas, planos e a esperança de vê-la envelhecer.

E a sociedade perde uma médica, uma profissional que cuidava de outras pessoas, uma mulher com sonhos, vínculos e uma vida inteira pela frente.

Não podemos continuar chamando controle de amor, ciúme de cuidado ou violência de problema de casal.

É preciso acreditar antes da tragédia, acolher antes do silêncio e agir antes que seja tarde.

Por Gassi. Por sua memória. Por todas nós. Basta de feminicídio.

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Saúde da Mulher

Eu desafio e desconstruo a lógica racional do machismo estrutural que mata as mulheres e traz adoecimento feminino ao longo de séculos

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