Gassi Mazia era médica, servidora pública, trabalhava na Unidade Básica de Saúde Nova Aliança, em Sarandi, e era mãe de um bebê de apenas oito meses.
Na noite de 5 de setembro, um familiar ouviu o choro da criança e foi até o imóvel. Como não conseguiu contato com quem estava lá dentro, precisou arrombar a porta, então encontrou o bebê chorando próximo ao corpo da mãe.
Uma cena que nenhuma criança deveria viver. Uma imagem que a família jamais conseguirá esquecer.
Segundo o delegado, Gassi e o marido estavam separados. Ele teria ido ao apartamento para visitar o filho e tentava reatar o relacionamento. Durante a visita, os dois discutiram e, conforme as investigações, ele a atacou. Depois, foi localizado em Mandaguari, ferido, e preso em flagrante.
O feminicídio não destrói apenas uma vida. Destrói futuros inteiros.
Um filho perde a mãe antes mesmo de compreender o significado dessa ausência. Perde o colo, a voz, o cuidado, os abraços e todas as histórias que ainda poderiam viver juntos.
Os pais perdem a filha. A família perde aniversários, conversas, planos e a esperança de vê-la envelhecer.
E a sociedade perde uma médica, uma profissional que cuidava de outras pessoas, uma mulher com sonhos, vínculos e uma vida inteira pela frente.
Não podemos continuar chamando controle de amor, ciúme de cuidado ou violência de problema de casal.
É preciso acreditar antes da tragédia, acolher antes do silêncio e agir antes que seja tarde.
Por Gassi. Por sua memória. Por todas nós. Basta de feminicídio.

