O patriarcado para justificar o lugar de submissão e subserviência feminina instituiu socialmente que a mulher é intelectualmente incapaz, traduzindo para o português popular, eles diziam que toda mulher é burra, sendo assim ela não tinha capacidade cognitiva para sobreviver sozinha em sociedade e por isso precisava ser tutelada por um homem, tornando a mulher em um objeto de uso dos homens.
Se a mulher fosse solteira ela pertencia ao pai e se ela fosse casada ela pertencia ao marido. Sendo assim, a mulher não era livre para fazer escolhas individuais sobre a própria vida dela.
Quando eu falo pertencer eu estou falando que ela é uma propriedade, que ela é um objeto, como uma coisa mesmo que não tem valor nenhum, uma coisa que só tem um único propósito e objetivo na vida, satisfazer todas as vontades, necessidades e desejos dos homens.
Então foi criada uma estrutura social na qual a mulher não podia estudar e frequentar escola ou faculdade, então nasceu mulher ia ser analfabeta, não podia trabalhar, não podia votar e exercer a sua cidadania, não tinha direito a herança dos seus pais, não tinha direito de comprar e vender bens, não poderia viajar sem autorização de um homem
As mulheres não tinham as mesmas oportunidades e os mesmos direitos que os homens.
Depois de lutas seculares travadas por mulheres em busca de igualdade de direitos e oportunidades, para descontruir estruturas sociais de opressão, a mulher no mundo atual pode estudar, trabalhar, votar, ter direito a herança de seus pais e ir e vir sem o consentimento de um homes mas a ideologia é a mesma porque como disse o chefe da propaganda nazista "uma mentira contada mil vezes vira verdade" o que fez a sociedade acreditar que a mulher é intelectualmente incapaz o que criou crenças limitantes e incapacitantes que ainda hoje limitam o potencial de uma mulher e uma estrutura social que o óbvio não é visto socialmente devido á inversão de valores sociais.
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Ellen Possi
Médica Ginecologista e Obstetra, especialista em Saúde da Mulher e Pós-graduada em Saúde da Família. Atua no cuidado integral feminino e no enfrentamento à violência contra a mulher, desafiando a lógica do machismo estrutural que adoece e mata as mulheres ao longo de séculos e ajudando mulheres a enxergar o invisível para seguir caminhos de proteção, liberdade e cura.

