Isabelle Caracristi tinha 22 anos, estudava Direito e começava a construir seus sonhos. Durante um estágio, conheceu João Munhoz Neto 33 anos que futuramente virou seu namorado.
A mãe disse que João mandava muitas mensagens, tinha comportamentos controladores, que ele fez um pedido para Isabelle que ela emprestasse o cartão de crédito dela para o João fazer uma cirurgia e fez a promessa de abrir uma empresa usando o nome dela para que ela pudesse crescer profissionalmente no futuro.
Para quem ama, esses sinais podem parecer cuidado e planos. Para quem observa, revelam controle, poder, domínio, dependência e desequilíbrio.
A mãe tentou alertar. Mas, quando uma mulher está envolvida, a preocupação da família pode parecer julgamento ou falta de confiança.
No domingo, 13 de setembro, Isabelle disse para a mãe que ia a uma missa com o namorado e a mãe dele. À noite, enviou à mãe uma mensagem: “Mãe, eu te amo”. Depois, parou de responder.
Uma mãe conhece os silêncios da própria filha. Na manhã seguinte, ao tentar falar com o namorado da jovem, descobriu que havia sido bloqueada. Sem conseguir contato e tomada pelo desespero, foi até o condomínio. Ali, recebeu a notícia mais dolorosa de sua vida não de um familiar, mas da síndica: Isabelle havia morrido na noite anterior e seu corpo já estava no Instituto Médico-Legal.
Há dores que parecem grandes demais para caber em qualquer palavra. Perder um filho já é uma ferida que não se explica. Mas Isorlanda precisou enfrentar uma segunda violência emocional: descobrir a morte da filha sozinha, sem um telefonema, sem um abraço, sem a oportunidade de chegar a tempo, sem sequer saber como tudo havia acontecido.
As perguntas permanecem. Por que a mãe não foi avisada imediatamente? Por que foi bloqueada? O que aconteceu entre a última mensagem de Isabelle e o momento em que ela foi encontrada? Por que o namorado e os familiares dele não estiveram no velório?
Quando uma jovem morre e sua mãe precisa descobrir por terceiros, existe uma família esperando por verdade e justiça.
Que cada silêncio seja investigado, cada pergunta respondida e a justiça seja feita

