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Você é responsável pela sua carreira

Carreiras não são construídas por quem espera oportunidade, mas por quem as cria, por quem se torna maior do que o espaço que ocupa.
André Cardoso
André Cardoso25 de agosto de 2026
Você é responsável pela sua carreira
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Seu chefe pode até atrapalhar a sua carreira, mas deixa eu te contar uma coisa importante, ele não é o responsável por ela.


Muita gente perde anos esperando alguém perceber o quanto ela é boa, fica esperando o reconhecimento, a promoção, uma oportunidade, ou até mesmo esperando alguém dizer, chegou a sua vez.


Só que a sua carreira não se constrói esperando ser escolhido. Ela vai exigir aprender mais, entregar mais, desenvolver novas competências e, principalmente, se posicionar, tudo com um objetivo muito claro, o de construir um nível de valor que torne difícil, ou até impossível, ignorar você, a ponto de que, se a empresa em que você está não reconheça esse valor, outra possa reconhecer. O que não dá é entregar a responsabilidade pelo seu futuro profissional nas mãos de outra pessoa.


Carreira madura começa quando você para de esperar ser escolhido, ou de achar que o mundo, a empresa, o seu chefe ou qualquer outra instituição te deve algo, e que essa dívida deva ser saldada com algum tipo de reconhecimento, promoção ou coisa parecida. Carreiras não são construídas por quem espera oportunidade, mas por quem as cria, por quem se torna maior do que o espaço que ocupa.


Vamos pensar numa recepcionista, contratada para receber os clientes internos e externos da empresa, que tem como missão receber e direcionar demandas, atender os funcionários em algumas necessidades e encaminhá-las para as áreas corretas, receber clientes e orientá-los corretamente, fazendo com que o fluxo não pare, que seja fluido, e tudo isso com leveza. Dentro desse quadro, podemos encontrar três perfis atuando na mesma função, sendo a recepcionista apenas um mero exemplo, pois isso vale para qualquer posição ou profissão. Inclusive, será um bom momento para você mesmo se analisar e refletir sobre quais destes é você hoje.


O primeiro é o daquela pessoa que acha que faz demais, que reclama que ninguém ajuda, que acha que levam demandas desnecessárias até ela, que se sente explorada e que ganha uma miséria para fazer aquilo e ainda se estressar. O segundo é o perfil da pessoa que entrega com excelência tudo que a função exige, tornando-se um destaque no seu papel. E existe o terceiro perfil, o da pessoa que entrega com excelência tudo que sua função exige e ainda busca para si atividades que não são correlatas ao seu papel original, absorvendo novas demandas e novo conhecimento.


Desses três exemplos, apenas um usou a tese de ser maior do que a própria função, extrapolou os limites e se colocou no risco de ser vista além do cercadinho.


A primeira, a funcionária típica, infelizmente comum, a que reclama, acha tudo injusto e se sente vítima, está sofrendo com o que faz e certamente está tornando o ambiente mais pesado com a sua forma de sentir e ver as coisas. Corre o risco de ser eliminada justamente por essas características.


A segunda, a recepcionista exemplar, mostrou apenas que é muito boa naquilo para o qual foi contratada. E por que mexer nisso? Por que tirá-la dali e colocá-la em outro lugar? Ela cabe como uma luva onde está. Não falta nada nela para a função, mas também não sobra nada nela que justifique pensá-la além daqueles limites.


Já a terceira não se confinou nas quatro linhas da função. Foi além, explorou novas fronteiras, se expôs, assumiu novas responsabilidades e não pensou coisas do tipo eu não ganho para isso, isso não é meu papel, ou vou só ter mais trabalho. Essa terceira corre um risco alto, o de não ser vista ou percebida por ninguém na empresa em que trabalha, o de não ser valorizada pelo chefe, o de não ser promovida naquele ambiente.


Mas aqui está o ponto. Não é sobre a empresa, nem sobre a capacidade de visão do chefe. É sobre ela. Sobre a expansão do próprio conhecimento e da própria visão. Sobre se sentir maior e melhor. Sobre enxergar em si mesma competências e valor. Porque, no final do dia, quando ela estiver sentada como candidata em outra posição, em outra empresa, o que vai pesar é justamente como ela se percebe, porque é isso que ela vai vender.


Muitos chefes são aquela recepcionista do primeiro exemplo. Alguns poucos são do segundo. E menos ainda são do terceiro. Agora imagine você viver uma vida inteira esperando que o reconhecimento venha de pessoas que muitas vezes não conseguem enxergar além de si mesmas. Como esperar que elas consigam te ver além?


O segredo para ser visto não é ter a sorte de que alguém te veja. É fazer algo de um tamanho tal que até quem é cego e não consegue ver, ao menos consiga te sentir, pelo tamanho que você passou a ter.

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André Cardoso

Diretor de Expansão na Wise Up | Mentor e Palestrante em Vendas, Liderança e Negócios

30+ anos construindo vendas, líderes e negócios. Transformo experiência prática em conteúdo, mentorias e palestras sobre liderança, vendas e comportamento.

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