InícioColunistasAndré CardosoÉ difícil ser bom, quando se é o melhor

É difícil ser bom, quando se é o melhor

Não faltam pessoas boas no que você faz. E quanto mais bons existirem, mais o simples fato de ser apenas bom vai te nivelar por baixo.
André Cardoso
André Cardoso14 de setembro de 2026
É difícil ser bom, quando se é o melhor
Ouvir ArtigoReproduzir
0:00
0:00

O título deste texto pode causar desconforto em algumas pessoas, pois pode soar arrogante e prepotente, mas o fato é que a busca pela excelência em tudo que fazemos nos leva instantaneamente para outro patamar, onde ser apenas bom já não atende mais.


Vivemos em um planeta com quase 8,3 bilhões de habitantes, onde só no Brasil somos quase 215 milhões, e diante desses números gigantescos somos levados a refletir. Quantas pessoas boas existem em cada profissão? Quantas pessoas boas existem na empresa em que você trabalha? Quantas pessoas boas estão se formando ao seu lado, no mesmo curso que você? E claro, existem muitas pessoas extremamente abaixo do bom, mas o nosso foco aqui é outro, é sobre quantas estão na categoria bom? Se pensarmos por esse prisma, fica claro que ser bom é pouco, muito pouco, porque o bom está perdido no meio dessa multidão de bons, ficando difícil ser visto, percebido, destacado e valorizado.


Vamos entender a ideia contida no título deste texto. Para isso, vamos nos valer das discussões imensas sobre os valores pagos mundo afora a alguns atletas, em vários esportes, focando um pouco mais no futebol, a paixão da maioria dos brasileiros. Mas aqui precisamos sair da superfície, do que facilmente se vê na internet e nas reportagens.


A verdade do esporte paixão nacional é a seguinte: de 82% a 84% dos jogadores profissionais do país ganham no máximo 2 salários mínimos, ou seja, em valores de hoje estamos falando de um ganho próximo a R$3.200. E por que isso acontece? Justamente porque somos o país do futebol e há um moleque bom de bola em quase qualquer campinho. Logo, não faltam bons jogadores, e quanto mais bons existirem, mais o simples fato de ser bom vai te nivelar por baixo.


Quando falamos de jogadores ganhando acima de 100 mil por mês, isso já se concentra em poucos, e mesmo assim, entre os que jogam na Série A, onde existem apenas 20 clubes. Agora, se falarmos dos que ganham acima de 1 milhão por mês, aí falamos de uns gatos pingados, e esses certamente não estão apenas na categoria bom. Esses são os excelentes, ou até mesmo os excepcionais.


O que eu quero mostrar com essa análise é que as pessoas não são tão bem remuneradas apenas pelo que fazem, uma vez que muitos fazem o que elas fazem, mas sim porque são remuneradas em altíssimo nível pela sua excepcionalidade, pela sua raridade.


Toda vez que alguém busca ser apenas bom, essa pessoa está se colocando numa linha direta com a frustração, porque na visão rasa dela, ser bom já é suficiente para ser bem remunerada e ter acesso às melhores coisas e oportunidades. Mas essa não é a realidade, é apenas uma ilusão confortável, inclusive, porque a régua para ser bom é baixa, muito baixa, e por isso é lugar lotado. Ao ser bom e não ter o retorno financeiro sonhado, começam os discursos de injustiça, de oh vida, oh azar, oh mundo cruel, e por aí vai, quando na verdade você está apenas tendo o reconhecimento financeiro condizente com o lugar que lutou para estar.


E digo que é confortável porque o esforço e a dedicação empregados para ser apenas bom não exigiram tudo que você poderia ter dado, não cobraram tudo que você poderia ter pago, e você aceitou isso numa boa, aceitou ser poupado de sacrifícios maiores. Vá ver a vida dos atletas de altos ganhos e alta performance, e veja como é a vida deles de abdicações, entregas e dedicação. Quantos de fato se dispõem a pagar tal preço?


Quando se busca ser o melhor, ser apenas bom não é apenas difícil. Talvez o título esteja até errado, porque na verdade, quando se é o melhor, quando se é excepcional no que faz, ser apenas bom torna-se impossível. No entanto, alcançar esse patamar, em qualquer profissão ou ambiente, exige não agir como a maioria, exige não aceitar viver pela média em seus resultados, exige ambição e resiliência para viver a jornada.


A jornada para a excelência pode até ser dura. Aliás, eu afirmo que é. Mas a excelência, ao ser alcançada, tornará tudo depois desse ponto em um mero passeio no parque.

Compartilhe este artigo

André Cardoso

André Cardoso

Diretor de Expansão na Wise Up | Mentor e Palestrante em Vendas, Liderança e Negócios

30+ anos construindo vendas, líderes e negócios. Transformo experiência prática em conteúdo, mentorias e palestras sobre liderança, vendas e comportamento.

Comentários

...

Carregando comentários...

Deixe seu comentário

0 / 150

Máximo 150 caracteres. Seu e-mail não será publicado.