A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das autopeças brasileiras reduz a competitividade da indústria nacional e amplia os riscos para produção, investimentos e empregos, disse Milad Neto, sócio e diretor-executivo da K.Lume Consultoria Automobilística, em entrevista nesta quinta-feira (16) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Segundo ele, embora o Brasil exporte poucos veículos para os Estados Unidos, o mercado americano é relevante para as autopeças produzidas no país. “É mais um entrave para a nossa indústria. A sobretaxa aumenta o preço final dos nossos produtos e reduz a competitividade das autopeças brasileiras no mercado norte-americano”, afirmou.
Na avaliação do especialista, a decisão americana preservou produtos considerados mais sensíveis para os consumidores dos Estados Unidos, enquanto manteve a sobretaxa justamente sobre itens de maior valor agregado produzidos pela indústria brasileira.
Competitividade afetada
Milad afirmou que não houve um critério específico para as autopeças, mas sim uma decisão inserida no conjunto das medidas adotadas pelo governo americano. Segundo ele, isso penaliza um segmento que possui tradição no comércio bilateral e fornece componentes utilizados pela própria indústria dos Estados Unidos.
O executivo também argumentou que as empresas brasileiras competem de forma consolidada e dentro dos padrões internacionais, enquanto outros concorrentes seguem ampliando presença no mercado americano.
“As autopeças brasileiras ficaram sobretaxadas em 25% justamente onde existe maior valor agregado. Isso reduz nossa competitividade e prejudica uma indústria que já está consolidada”, disse.



