A recuperação extrajudicial aumentou entre empresas brasileiras que tentam reorganizar dívidas sem recorrer, de imediato, a um processo judicial com participação direta da justiça. A modalidade cresce em um cenário de crédito caro e maior pressão sobre o caixa das companhias.
Os números mostram que esse tipo de negociação deixou de ser pontual e passou a aparecer com muito mais frequência nos últimos anos.
Aumento de 90%
Dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial mostram que o número de casos passou de 43 em 2023 para 82 em 2025. Isso representa uma alta de 90,7% em dois anos.
Em 2024, o observatório havia registrado 66 processos, e em 2026, outros 44 casos entraram no cálculo, aumentando ainda mais o número. Desde 2023, os pedidos somam 235 processos. Esse total corresponde a 71% das 329 recuperações extrajudiciais identificadas desde 2005.
Juros altos explicam o aumento
Parte do crescimento de recuperação extrajudicial está ligada ao aumento do custo das dívidas. Durante a pandemia, a Selic chegou a 2% ao ano, o que facilitou o acesso das empresas ao crédito. Muitas companhias aproveitaram esse período para captar recursos, investir e ampliar operações.
Com a alta dos juros, esse cenário mudou. Em junho, a taxa média das novas operações de crédito livre para empresas estava em 24,4% ao ano, segundo o Banco Central.
Por que as empresas escolhem a recuperação extrajudicial?
A recuperação extrajudicial permite que a companhia concentre a renegociação em determinados grupos de credores. Nesse processo, a empresa pode tentar aumentar prazos, além de negociar outros termos das dívidas.
Com isso, a empresa consegue priorizar os pontos mais urgentes do passivo sem levar toda a estrutura financeira para uma recuperação judicial mais ampla.
Recuperação extrajudicial e recuperação judicial
Na recuperação judicial, a empresa leva a crise para um processo direto na Justiça e negocia um plano com participação dos credores dentro das regras previstas para esse procedimento.
Junto a isso, o judiciário mantém um maior controle e participação no processo de recuperação financeira da empresa. Já na recuperação extrajudicial, a companhia negocia diretamente com os credores e pode depois levar o acordo para homologação judicial.
Além disso, um dos grandes atrativos da recuperação extrajudicial é manter as operações sem riscos de bloqueio ou fim das operações. Ainda assim, o processo depende de aprovação da justiça.
Na prática, a recuperação extrajudicial costuma ter um foco mais restrito nas dívidas que entram na negociação, enquanto a recuperação judicial envolve uma reorganização maior.



