Quando todo mundo passa a usar inteligência artificial, qual o diferencial que nos materá relevantes? Essa foi a provocação central levada pela jornalista Gabriela de Paula, especialista em futuro e inovação, ao primeiro dia do 6º Seminário Nacional de Práticas Comerciais em Saneamento, realizado nesta quarta-feira, 10 de junho, em Salvador. Convidada para proferir a palestra magna do evento, ela apresentou o tema “A Era dos Perguntadores – Liderança Humana em Tempos de IA” para um público recorde de cerca de 300 participantes, entre gestores, técnicos, especialistas e profissionais de companhias de saneamento de todo o país.
Promovido pela Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento, em parceria com a Embasa, o encontro tem como tema central “Inteligência Comercial no Saneamento: da Experiência à Performance”. A proposta é reunir durante dois dias no Hotel Deville Prime representantes do setor vindos de todo o país para discutir caminhos de modernização das práticas comerciais, com foco em regulação, reforma tributária, sustentabilidade, ciência de dados, inteligência artificial e eficiência operacional.
Na palestra magna, Gabriela levou ao setor de saneamento uma reflexão que ultrapassa o uso instrumental da tecnologia. Em vez de tratar a inteligência artificial apenas como ferramenta de automação, a jornalista colocou no centro do debate a liderança humana: a capacidade de formular boas perguntas, interpretar contextos, tomar decisões e preservar o protagonismo das pessoas diante de sistemas cada vez mais inteligentes.
"A gente precisa rever o sistema educacional que privilegia a resposta previsível, que ensina gente a ficar muito parecida com um robô, colocando num canto a curiosidade e a subjetividade. O líder do futuro será cada vez mais parecido com um bom professor, que acolhe a pergunta inédita e conduz o processo de descoberta do novo", refletiu.
Área comercial de saneamento enfrenta grandes desafios
A abordagem dialogou diretamente com os desafios das áreas comerciais das companhias de saneamento, que lidam com bases de dados, relacionamento com clientes, cobrança, perdas comerciais, regulação e novas exigências de performance. Em um setor pressionado por metas de universalização e transformação digital, a palestra apontou que a adoção de IA exige mais do que infraestrutura tecnológica: requer pensamento crítico, adaptação cultural e lideranças capazes de transformar informação em decisão.
A presença de Gabriela no seminário também reforçou a aproximação entre o debate sobre inovação e a gestão pública de serviços essenciais. Jornalista com mais de 20 anos de experiência, editora-chefe da Ayoo, criadora do Bom Dia, Futuro e TEDx speaker, ela tem atuado na formação de comunicadores e lideranças para o uso estratégico de inteligência artificial e novas linguagens da comunicação.
A palestra foi realizada em uma programação marcada pela troca de experiências entre companhias estaduais de saneamento. A abertura contou com representantes da Aesbe e da Embasa, que destacaram a importância da integração entre empresas do setor e da qualificação dos debates sobre práticas comerciais. Para Gildeone Almeida dos Santos, presidente da Embasa e vice-presidente regional Nordeste II da Aesbe, o seminário é uma oportunidade para aprofundar discussões sobre regulação, normas de referência da ANA e modernização dos processos comerciais.
O 6º Seminário Nacional de Práticas Comerciais em Saneamento segue nesta quinta-feira, 11 de junho, à eficiência comercial e à melhoria da experiência dos usuários. Entre os temas previstos estão contratos inteligentes e indicadores de performance, micromedição e redução de perdas aparentes, uso de ciência de dados e inteligência geoespacial na tomada de decisões comerciais. A programação reúne especialistas, órgãos reguladores, instituições públicas e empresas parceiras com foco em soluções para os serviços de saneamento no Brasil.



