O modelo chega ao mercado por US$ 2.195. Além disso, há um depósito reembolsável de US$ 200. Com isso, a Snap se posiciona em um segmento ainda em formação, mas cada vez mais competitivo.
A proposta é clara: levar a computação para fora das telas tradicionais e projetar elementos digitais diretamente no campo de visão do usuário.
Segundo o CEO Evan Spiegel, a ideia reflete uma mudança de comportamento. Isso acontece quase duas décadas após o lançamento do iPhone. Os consumidores estão mais abertos a novas formas de interação com a tecnologia.
Snap e o novo modelo de uso da realidade aumentada
Diferente dos primeiros Spectacles lançados em 2016, que tinham câmera e foco limitado, os novos Specs foram desenvolvidos como óculos de realidade aumentada completos.
Eles permitem experiências imersivas sobre o mundo real, com interface transparente e foco em uso compartilhado, sem depender de uma tela opaca.
O dispositivo oferece cerca de quatro horas de bateria, conexão via Bluetooth e suporte para experiências criadas por desenvolvedores. A Snap também abriu integração com ferramentas de inteligência artificial como sistemas da OpenAI e da Anthropic, além do editor Cursor.
Concorrência forte e mercado em maturação
O movimento da Snap acontece em um cenário dominado por grandes concorrentes. A Meta Platforms avançou com os óculos Ray-Ban Meta.
O Google aposta em novos dispositivos com inteligência artificial, desenvolvidos em parceria com marcas do setor óptico. Já a Apple mantém sua estratégia de alto padrão com o Vision Pro, ainda sem adoção em massa.
Apesar do avanço das gigantes, o mercado de AR ainda é considerado inicial e sem um produto de grande escala consolidado. Spiegel reforça que os Specs representam um passo além dos óculos apenas com áudio, que ele classifica como soluções limitadas e próximas de um acessório do celular.
A aposta de longo prazo da Snap
A Snap também enfrenta desafios financeiros e pressão de investidores, já que acumula prejuízos desde sua abertura de capital. Mesmo assim, a empresa criou uma subsidiária dedicada ao projeto, a Specs Inc., para acelerar o desenvolvimento da tecnologia.
Segundo analistas do setor, o momento não é simples para lançamentos de produtos premium, especialmente considerando o público jovem da Snap e o alto preço do dispositivo.
Ainda assim, a aposta da empresa é que há uma mudança de comportamento em curso: menos dependência do smartphone e mais interesse em formas “transparentes” de computação.
Nesse cenário, a Snap vê os Specs como uma tentativa de reposicionar não apenas o produto, mas a própria ideia de interação digital no cotidiano.



