O estudo aponta um diagnóstico sobre o chamado “Custo Brasil”. Enquanto em nações desenvolvidas, como os Estados Unidos, os custos logísticos representam cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil patina em patamares que alcançaram 15,5% do PIB em 2025. Para a CNT, a deficiência na infraestrutura responde por uma parcela expressiva desse custo, que corrói as margens do setor produtivo, penaliza o agronegócio e a indústria de transformação e afasta novos investidores.
“Planejar é condição indispensável para transformar a infraestrutura brasileira. O estudo prioriza intervenções capazes de promover maior integração entre os modos de transporte, reduzir custos logísticos, aumentar a competitividade da economia e tornar a infraestrutura mais resiliente e sustentável”, afirma o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa.
Desequilíbrios modais
O retrato da matriz de transporte nacional revela um descompasso com potências de dimensões continentais. O Brasil concentra 65,8% de sua matriz no modal rodoviário. Para efeito de comparação, a União Europeia distribui melhor sua carga (50%), assim como os Estados Unidos (43%), a China (35%) e a Austrália (27%), privilegiando ferrovias, hidrovias e cabotagem.
O problema é agravado pelas condições precárias da malha viária. Conforme aponta o plano, apenas 13% das rodovias brasileiras são pavimentadas — índice muito distante de nações como a China (88%) e a Índia (60%). Além disso, a Pesquisa CNT de Rodovias de 2025 escancarou que 62,1% da malha viária geral do país apresenta estado geral avaliado como regular, ruim ou péssimo, índice que saltou para 72,8% quando considerada apenas a malha pública.
Onde estão os recursos?
Do total de R$ 2 trilhões previstos no planejamento, o montante divide-se em duas grandes frentes:
- Projetos de Integração Nacional: São 2.509 empreendimentos voltados a grandes rotas de escoamento e interligação regional, somando R$ 1,5 trilhão. Desse total, o setor ferroviário absorve a maior fatia com aproximadamente R$ 1,1 trilhão, seguido pelo modo rodoviário (R$ 511,5 bilhões), hidrovias (R$ 173,1 bilhões), portos (R$ 125,1 bilhões), terminais (R$ 36,9 bilhões) e aeroportos (R$ 28,3 bilhões).
- Projetos Urbanos: Compreendem 328 intervenções focadas em regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, totalizando R$ 518,4 bilhões. O foco recai sobre sistemas de média e alta capacidade, como metrôs, trens urbanos, VLTs, monotrilhos e corredores exclusivos de ônibus (BRTs).
A disparidade entre a necessidade de aportes e a realidade histórica é evidente. Enquanto o Banco Mundial estima que o país deveria investir anualmente 3,7% do PIB em infraestrutura de transporte para fechar suas lacunas, o governo federal aportou, na média dos últimos dez anos (2015 a 2025), apenas 0,15% ao ano.
Caminhos para a modernização
Diante da restrição orçamentária do setor público, a CNT defende a intensificação de parcerias estratégicas com a iniciativa privada por meio de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs). Contudo, a entidade ressalta que o sucesso desse modelo depende de um ambiente regulatório sólido, previsibilidade institucional, segurança jurídica e desburocratização.
Com o lançamento do painel virtual de consulta dinâmica — acessível via QR code nas diretrizes do plano —, a Confederação Nacional do Transporte busca municiar gestores públicos, operadores e a sociedade com dados transparentes. O objetivo é claro: transformar o planejamento de longo prazo em bússola para que o Brasil consiga, finalmente, destravar sua logística, reduzir o Custo Brasil e consolidar uma economia mais eficiente, competitiva e sustentável.



