Sempre envolta em polêmica — amada por uns, rejeitada por outros — a legging é uma dessas peças cíclicas que a moda insiste em revisitar. E talvez justamente por isso continue tão relevante.
Seu primeiro grande auge aconteceu nos anos 1980, década do exagero, da cultura fitness e da ascensão do sportswear como linguagem estética. Combinada a collants vibrantes, polainas, moletons oversized caídos nos ombros e tênis robustos, a peça rapidamente ultrapassou os limites das academias.
Foi com a ajuda de Madonna que essa estética se consolidou definitivamente. A artista incorporou a legging em videoclipes, performances e aparições públicas, transformando-a em símbolo de atitude, sensualidade e liberdade. O que antes pertencia ao universo esportivo ganhou status fashion e passou a ocupar o guarda-roupa das mulheres mais ousadas da época.
Após um período de relativo ostracismo — quase execrada pelo circuito fashion — a legging retorna entre 2010 e 2015, impulsionada pela estética da chamada “Tumblr Girl”. Popularizado na rede social Tumblr, o visual misturava referências do indie sleaze, soft grunge e athleisure, traduzindo uma geração que transformou o casual em identidade estética.
O indie sleaze resgatava o glamour despretensioso e caótico do fim dos anos 2000: uma mistura de referências rocker, toques punk, vintage customizado e maquiagem carregada, em contraponto ao minimalismo que dominaria a década seguinte. Influenciado por figuras como Lady Gaga e pelas garotas da cena alternativa da internet, o movimento revisitava os excessos dos anos 1980 e 2000 — das cinturas baixíssimas às mini bags, passando pelo brilho, pelas sobreposições e pela atitude “effortlessly messy”.
Nesse contexto, a legging voltou ao centro da conversa fashion. Surgia combinada a camisetas oversized, botas pesadas, jaquetas de couro e até usada como meia-calça, consolidando-se como peça-chave de uma geração que priorizava conforto sem abrir mão de personalidade.
Agora, oficialmente de volta ao topo das tendências de 2026, a legging — especialmente em sua versão fusô — reaparece reinterpretada sob uma ótica mais sofisticada. Nas passarelas e no street style, ela surge combinada a alfaiataria, casacos estruturados, tricôs minimalistas e acessórios de luxo, equilibrando praticidade e elegância contemporânea.
O retorno faz sentido: em um momento em que a moda busca unir conforto, funcionalidade e estilo, poucas peças representam tão bem essa nova dinâmica quanto a legging. Versátil, confortável e carregada de informação de moda, ela reafirma seu espaço como item indispensável do guarda-roupa contemporâneo.
E você? Ama ou odeia a tendência? Confira os looks inspiração e experimente a estética que voltou para dominar a cena fashion mais uma vez.
Fontes: Steal The Look, Vogue, Ellle, Sites das Marcas, Pinterest
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