Eu, como mulher, mãe e médica especializada em saúde da mulher, fiz uma reflexão muito profunda até chegar aqui. Sabe o que me deu força, empenho e determinação para desconstruir e desafiar a lógica racional do machismo estrutural? Não foi apenas ter vivido o processo de violência. Foi muito mais profundo que isso. O que me deu forças, determinação e empenho para chegar até aqui foi atender um número imenso de pacientes adoecidas por causa da estrutura machista construída socialmente!
Muitas mulheres me procuram quando estão com estresse pós-traumático, ansiedade, depressão. Muitas nunca conseguiram sentir orgasmo. Em muitos casos, eu não consigo realizar o exame ginecológico porque elas sentem gatilhos do abuso sofrido no passado. Muitas chegam com queixa de diminuição da libido, fibromialgia e tantos outros processos de adoecimento físico, mental, espiritual e sexual ocasionados pela violência sofrida. É um número tão imenso de mulheres que isso realmente me deixou assustada e preocupada.
Sabe o que é mais triste nisso tudo? É que elas chegam doentes e nem conseguem reconhecer a causa do adoecimento, porque a sociedade machista normalizou e romantizou o inaceitável. Assim, elas não conseguem ver a raiz do processo de adoecimento.
O meu maior objetivo é trazer saúde, bem-estar e força para as mulheres, porque, ao falar do processo saúde e doença, eu preciso que o processo de cura seja de dentro para fora. Apenas a medicação não resolve problemas nos quais o adoecimento é ocasionado pela violência que a mulher está vivendo.
Vou ajudar vocês a sair de um túnel escuro e vou iluminar o seu caminho, porque você não está sozinha nessa jornada. Eu estarei com você e caminharemos lado a lado. O primeiro portal de cura é o acesso ao conhecimento, porque assim você vai tirar o véu das ilusões dos olhos e conseguirá enxergar a verdade.
#euvejovocê
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Ellen Possi
Médica Ginecologista e Obstetra, especialista em Saúde da Mulher e Pós-graduada em Saúde da Família. Atua no cuidado integral feminino e no enfrentamento à violência contra a mulher, desafiando a lógica do machismo estrutural que adoece e mata as mulheres ao longo de séculos e ajudando mulheres a enxergar o invisível para seguir caminhos de proteção, liberdade e cura.

