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Endividamento recorde no Brasil: o problema não é dever, é como e por que se deve

Nem toda dívida é vilã: entenda a diferença entre endividamento e inadimplência, e como usar o dinheiro a seu favor.
ANDRE LUIZ ANDRADE PITOMBO
ANDRE LUIZ ANDRADE PITOMBO29 de abril de 2026
Endividamento recorde no Brasil: o problema não é dever, é como e por que se deve
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O Brasil vive um momento preocupante: o número de famílias endividadas e inadimplentes bate recordes históricos. Mas, diante desses dados, é importante fazer uma distinção essencial, e pouco discutida: endividamento e inadimplência não são a mesma coisa.

Embora muitas vezes tratados como sinônimos, esses conceitos representam situações completamente diferentes, e entender essa diferença é o primeiro passo para uma vida financeira mais saudável.

 

Endividamento é ter dívidas. Inadimplência é não conseguir pagá-las.

Ou seja, uma pessoa pode estar endividada e ainda assim ter controle financeiro. Isso acontece quando ela assume compromissos que cabem no seu orçamento e consegue honrá-los em dia. Já a inadimplência surge quando esse equilíbrio se perde, quando as contas vencem e o pagamento não acontece.

O problema do Brasil não está apenas no alto nível de endividamento, mas principalmente no avanço da inadimplência. Isso indica que milhões de famílias ultrapassaram o limite da sua capacidade financeira.

E por que isso acontece?

A resposta vai muito além da renda.

Claro que fatores como inflação, juros altos e instabilidade econômica impactam diretamente o orçamento das famílias. Mas existe um ponto ainda mais profundo: a forma como as pessoas se relacionam com o dinheiro.

A maioria dos brasileiros nunca recebeu orientação sobre educação financeira. Não aprenderam a planejar, a priorizar, a diferenciar necessidade de desejo ou a avaliar o impacto de uma decisão no longo prazo.

E é justamente aí que começa o ciclo do endividamento problemático.

Cartões de crédito são usados como extensão da renda.

Parcelamentos se tornam rotina.

Compras são feitas por impulso.

Quando se percebe, a renda já está comprometida, e qualquer imprevisto é suficiente para transformar o endividamento em inadimplência.

Mas existe um outro ponto fundamental que precisa ser discutido: nem toda dívida é ruim.

Isso pode parecer contraintuitivo, mas é uma das ideias mais importantes dentro da educação financeira.

Existe uma diferença clara entre dívida de consumo e dívida de investimento.

A dívida de consumo é aquela usada para adquirir bens ou serviços que não geram retorno financeiro, pelo contrário, muitas vezes geram mais despesas. Exemplos comuns incluem a compra de eletrônicos, roupas, viagens ou até mesmo um carro que será utilizado apenas para uso pessoal e trará custos contínuos como manutenção, combustível e seguro.

Já a dívida de investimento, ou o que podemos chamar de “endividamento saudável”, é aquela que tem potencial de gerar retorno financeiro no futuro.

Alguns exemplos:

  • financiar um curso ou especialização que aumente a renda
  • investir em um negócio próprio
  • adquirir um equipamento que permita gerar receita
  • ou até mesmo financiar um imóvel com potencial de valorização ou geração de aluguel

Nesse caso, a dívida deixa de ser um problema e passa a ser uma alavanca financeira.

Ela não representa apenas uma saída de dinheiro, mas uma estratégia para crescimento.

O grande erro está no desequilíbrio: muitas famílias assumem dívidas voltadas para consumo, mas sem planejamento, sem reserva e sem visão de longo prazo.

E o resultado é previsível: aumento da pressão financeira, perda de qualidade de vida e, em muitos casos, inadimplência.

A educação financeira entra exatamente como ferramenta de transformação desse cenário.

Ela não ensina apenas a economizar, ensina a tomar decisões melhores.

Uma pessoa com educação financeira entende:

  • o impacto dos juros ao longo do tempo
  • a importância de manter uma reserva de emergência
  • como organizar e acompanhar seu orçamento
  • quando uma dívida faz sentido, e quando ela deve ser evitada

Mais do que isso, ela passa a enxergar o dinheiro como um meio, e não como um fim.

Isso muda completamente a lógica.

Ao invés de consumir primeiro e pensar depois, a pessoa passa a planejar, priorizar e agir com consciência.

E isso não significa deixar de viver, mas sim viver com mais equilíbrio.

Diante do cenário atual, fica evidente que o Brasil não precisa apenas de mais renda, precisa de mais educação financeira.

Se milhões de famílias estão endividadas, o caminho não está apenas em reduzir dívidas, mas em mudar o comportamento que levou até elas.

E essa mudança começa com conhecimento.

Porque, no final das contas, não é o fato de dever que define o futuro financeiro de alguém.

É a forma como essa dívida foi construída, e como ela será administrada.

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ANDRE LUIZ ANDRADE PITOMBO

ANDRE LUIZ ANDRADE PITOMBO

Economia

Economista, Contador, Especialista em auditoria fiscal, em Gestão Empresarial e MBA em Planejamento Financeiro, Empresário e Gestor da CDL Feira.

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