Em março estive palestrando na imersão do Ecossistema Master Business, um grupo que reúne empresários de diferentes segmentos e que, juntos, se aproximam de um faturamento anual na casa do bilhão. Ali dentro você encontra negócios de todos os tamanhos, estruturas distintas, tempos de jornada completamente diferentes. Mas existe algo que conecta todos eles, algo que não aparece no balanço financeiro, mas que sustenta tudo isso: fome por crescer.
Fome por aprender.
Fome por ouvir.
Fome por trocar.
Fome por estar em um ambiente que puxa para cima.
E é exatamente aqui que entra uma das lições mais importantes que quero compartilhar com você.
O ambiente de onde você veio, cresceu e até venceu, não pode ser o único ambiente onde você permanece.
Não é que ele não precise ser o único.
Ele não pode ser.
Porque, se for, ele se torna o seu limite.
Ambientes confortáveis demais deixam de confrontar. E quando você deixa de ser confrontado, você para de crescer. Existe um risco ainda mais perigoso. Você pode ter se tornado a principal referência dentro desse ambiente. Pode ter virado o mais preparado, o mais bem sucedido, o mais experiente daquele grupo.
E isso, que parece positivo, pode ser uma armadilha.
Porque, se você é sempre o que mais sabe, você está no ambiente errado.
Um ambiente que não te desafia, não te provoca e não te expõe a novas referências deixa de ser um lugar de crescimento e passa a ser um lugar de manutenção.
E manutenção não constrói o próximo nível.
Não é incomum ouvir pessoas dizendo que não acessam novos ambientes porque não conhecem ninguém nesses lugares. Usam isso como justificativa para permanecer onde estão. Mas existe uma verdade que precisa ser dita com clareza: acesso a novos ambientes pode ser construído, e muitas vezes, pode ser comprado.
Quando você entra em um clube, seja um clube de golfe ou qualquer outro espaço de relacionamento, você não está comprando acesso à piscina, à quadra ou à estrutura física. Você está comprando acesso às pessoas. Está comprando convivência. Está comprando ambiente.
Flávio Augusto, há alguns anos, fundou o Clax Club. Um ambiente que reúne empresários com faturamentos bilionários somados. O investimento para se tornar sócio gira na casa de centenas de milhares de reais. Agora eu te pergunto, isso é custo ou investimento?
A resposta que você dá para essa pergunta revela muito mais sobre você do que sobre o valor em si.
O Ecossistema Master Business, onde estive, exige um investimento anual significativo para fazer parte. Mas o que está sendo comprado ali não é um evento. Não é uma palestra. É acesso a um ambiente que acelera a mentalidade, amplia a visão e cria conexões que dificilmente aconteceriam de forma isolada.
Ambientes moldam.
Moldam sua forma de pensar.
Moldam o seu padrão de decisão.
Moldam o que você considera possível.
Se você vive cercado de pessoas que pensam pequeno, você será confrontado o tempo todo a reduzir o seu ritmo. Se você vive em ambientes onde o comum é viver no limite, você vai achar estranho quem pensa em crescer além disso.
Agora, quando você se insere em ambientes onde as conversas são maiores, onde os problemas são mais complexos, onde as soluções são mais sofisticadas e onde o padrão é mais alto, algo começa a acontecer dentro de você.
Sua régua muda.
E quando a régua muda, o jogo muda.
Mas existe um ponto de atenção importante aqui. Não basta estar nesses ambientes apenas como interessado. É preciso se tornar interessante.
Você precisa chegar disposto a aprender, mas também disposto a contribuir. Precisa carregar a sua história, suas experiências, seus aprendizados. Porque, ao mesmo tempo em que você será aluno em muitos temas, haverá momentos em que será chamado a ensinar aquilo que domina.
Ambiente não é plateia.
Ambiente é troca.
E talvez você esteja pensando agora, isso é bom, mas eu não tenho condições de investir 60, 80, 100 ou 300 mil para acessar esses ambientes.
Então comece de onde você pode.
Invista em eventos empresariais.
Participe de encontros onde o foco seja evolução de mentalidade e visão.
Se conecte com pessoas que têm fome de crescer.
Você não precisa começar no ambiente mais exclusivo. Mas precisa sair do ambiente que não te leva mais para frente.
Porque uma coisa é certa. Novos ambientes abrem novas janelas. Novas conexões mostram novos caminhos. Novas conversas revelam possibilidades que hoje sequer estão no seu radar.
Não se trata de abandonar de onde você veio. Isso seria ingratidão. Trata-se de entender que o lugar que te trouxe até aqui não necessariamente será o lugar que vai te levar para o próximo nível.
E se você quer crescer, precisa se permitir ser moldado por ambientes maiores do que você.

