Costuma-se atribuir essa afirmação a histórias dos Vikings ou, de forma mais recorrente, a Hernán Cortés, que, ao chegar a um porto para invadir e conquistar o México, teria mandado queimar seus navios para eliminar qualquer possibilidade de recuo. E aí surge a pergunta: qual é a primeira impressão que essa ideia desperta em você? Um ato insano? Suicida? Ou um gesto extremo de determinação e confiança? Queimar as naus significa vencer ou vencer. Será mesmo?
Quando olhamos para os relatos históricos sobre os Vikings, sabemos que se tratava de um povo guerreiro, favorecido pela alta estatura, forte, acostumado a condições extremas, altamente treinado para o combate e moldado por uma realidade dura em sua terra de origem. A mensagem por trás desse ato, na minha visão, não está na imprudência, mas na clareza: não existe volta quando há a convicção de que não se quer mais permanecer onde se está.
Há, porém, um ponto essencial que muitas vezes é ignorado: olhamos para essas histórias sempre com a garantia do sucesso. Isso muda completamente a leitura do risco envolvido. E é aqui que trago a reflexão para o campo da gestão. Queimar as naus só faz sentido quando há preparação do time, alinhamento com todos, comunicação fluida, clareza de papéis e funções de cada um e, sobretudo, confiança no time e na liderança. Imagine um capitão incendiando o próprio navio sem comunicar a tripulação e sem alinhamento prévio. Qual seria a reação? União em torno do propósito ou um salve-se quem puder?
Voltando ao cerne da reflexão: quantas vezes deixamos projetos pelo caminho por estarmos presas a algo "estável"? Quantos planos não saíram do papel por falta de preparo ou de coragem para assumir riscos calculados? Queimar as naus não pode ser um ato impulsivo ou inconsequente. Precisa ser a consequência de um caminho bem pensado, estruturado, sustentado pela certeza de que o estado atual já não satisfaz e pela clareza do objetivo final que se deseja alcançar.
Se o seu porto seguro já não lhe completa, não lhe move ou não agrega propósito à sua vida, talvez seja o momento de construir um novo plano, concreto e baseado no que lhe motiva, no que lhe impulsiona e no que faz sentido para você. E, ao escolher um novo caminho, que a decisão seja consciente: aportar, queimar as naus e viver o novo.
Pense nisso!
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Alexandre Leitão Guerra
Administrador com pós-graduação em Finanças e MBA em Gestão de Saúde, trabalha com gestão de saúde há mais de 30 anos, focado em liderança, gestão de pessoas, formação de líderes, com forte atuação em expansão, reestruturação operacional, M&A com fundos de investimento e mentoria para médicos.

