O Brasil segue convivendo com uma realidade alarmante — e, infelizmente, cada vez mais recorrente: a violência contra a mulher.
Os números mais recentes escancaram um cenário que não pode mais ser tratado como estatística fria. Em 2025, o país registrou 1.568 casos de feminicídio, o maior número da última década, o que representa mais de quatro mulheres assassinadas por dia .
Se ampliarmos o olhar, a situação se torna ainda mais preocupante. Foram 6.904 vítimas de feminicídio (entre consumados e tentativas), um crescimento de 34% em relação ao ano anterior .
E não para por aí: um levantamento recente apontou que, apenas em parte dos estados monitorados, 4.558 mulheres sofreram algum tipo de violência em 2025, o que equivale a cerca de 12 vítimas por dia .
No início de 2026, os sinais continuam preocupantes. Somente em janeiro, o Judiciário brasileiro registrou 947 novos casos de feminicídio, reforçando a tendência de crescimento contínuo da violência de gênero no país .
Mas talvez o dado mais cruel não esteja apenas nos números — e sim no contexto: a grande maioria dessas violências acontece dentro de casa, praticada por companheiros ou ex-companheiros . Ou seja, o lugar que deveria ser de proteção se torna o principal cenário de risco.
Quando sair de casa é a única saída
Diante dessa realidade, surge uma reflexão urgente: o que acontece quando a mulher precisa sair imediatamente de casa para sobreviver?
Porque, na prática, muitas não saem — não por falta de coragem, mas por falta de condição.
Dependência financeira, ausência de rede de apoio e insegurança sobre o “dia seguinte” são fatores que, muitas vezes, mantêm mulheres presas em ciclos de violência.
É exatamente nesse ponto que iniciativas inovadoras começam a ganhar relevância.
O papel do seguro como ferramenta de proteção social
A iniciativa da Tokio Marine Seguradora de incluir cobertura para despesas com aluguel em casos de violência doméstica representa um avanço importante — e necessário.
Na prática, isso significa oferecer à mulher algo que pode ser decisivo: a possibilidade real de sair de um ambiente violento com dignidade e segurança.
Mais do que isso, a inclusão de suporte psicológico e jurídico amplia o conceito de proteção, indo além do patrimônio e alcançando o cuidado com a vida.
Estamos falando de um reposicionamento do próprio papel do seguro.
Não apenas como proteção financeira contra eventos tradicionais — como incêndios ou alagamentos —, mas como uma ferramenta ativa de proteção social, alinhada às necessidades reais da população.
Muito além de um produto: uma resposta à realidade
Em um país onde milhões de mulheres ainda enfrentam violência doméstica todos os anos , iniciativas como essa não são apenas diferenciais de mercado — são respostas concretas a um problema estrutural.
Elas mostram que o setor privado também pode — e deve — fazer parte da solução.
Porque combater a violência contra a mulher não depende apenas de leis, como a Lei Maria da Penha. Depende de rede, suporte e, principalmente, de condições reais para que a vítima consiga romper o ciclo.
O futuro da proteção
Se há algo que os números deixam claro, é que não basta reagir — é preciso antecipar.
E talvez o maior valor de iniciativas como essa esteja justamente nisso: transformar proteção em possibilidade de recomeço.
Porque, em muitos casos, sair de casa não é uma escolha.
É uma questão de sobrevivência.

