Tiradentes não era um nobre nem um militar de alta patente. Joaquim José da Silva Xavier acumulava funções que eram comuns ao Brasil colonial: era alferes, tropeiro, minerador e dentista amador. Foi justamente essa última atividade que lhe rendeu o apelido pelo qual ficou conhecido pela história.
Homem do povo, ele se tornou um dos líderes da Inconfidência Mineira, movimento de 1789 motivado pela insatisfação com a pesada cobrança de impostos imposta pela Coroa Portuguesa, especialmente a chamada "derrama".
A Inconfidência Mineira foi denunciada antes de se concretizar, e seus participantes foram presos e julgados. Tiradentes acabou sendo o único condenado à morte entre os inconfidentes. O enforcamento, ocorrido em 21 de abril de 1792, transformou o alferes em mártir de um movimento que buscava a liberdade da região de Minas Gerais do domínio colonial. Seu corpo foi esquartejado e partes dele foram expostas em diferentes localidades como forma de intimidação, prática comum da época para dissuadir rebeliões.
Quase um século depois, com a Proclamação da República em 1889, os ideais republicanos precisavam de um rosto. Os líderes do novo regime buscavam um herói nacional que não estivesse associado à monarquia e que representasse a luta pela liberdade. Tiradentes reunia todas essas características: era do povo, havia morrido por um ideal e não tinha vínculos com a família imperial.
A data de sua execução foi oficializada como feriado nacional em 1890, por decreto. Em 1965, o reconhecimento foi ainda mais longe: ele foi declarado Patrono da Nação Brasileira, consolidando seu lugar na identidade do país.
Fonte: registros históricos sobre a Inconfidência Mineira e a Proclamação da República brasileira.



