O acesso facilitado à informação também trouxe um aumento significativo da desinformação nutricional. Uma revisão sistemática publicada em 2025 aponta que mais de 62% dos estudos sobre desinformação em nutrição nas redes sociais envolvem a disseminação de dietas milagrosas e promessas sem respaldo científico, cenário que tem preocupado profissionais da saúde em diversos países.
A qualidade dessas informações também preocupa, um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificou que grande parte dos conteúdos sobre alimentação publicados no Instagram apresenta baixa qualidade, especialmente quando produzidos por criadores sem formação na área da saúde. Em contrapartida, as publicações feitas por nutricionistas e profissionais que utilizam evidências científicas obtiveram melhor avaliação em termos de confiabilidade.
Especialistas alertam que dietas copiadas da internet desconsideram fatores essenciais como idade, histórico de saúde, rotina, composição corporal, nível de atividade física e necessidades nutricionais específicas. Como consequência, aumentam os riscos de deficiências de vitaminas e minerais, perda de massa muscular, efeito sanfona, distúrbios alimentares e frustrações com resultados que dificilmente se mantêm a longo prazo.
Para a coordenadora do curso de Nutrição da UNIFAN, professora Narjan Keila, o principal problema das dietas compartilhadas nas redes sociais é que elas ignoram as particularidades de cada indivíduo. Segundo ela, embora as plataformas tenham democratizado o acesso à informação, também ampliaram a circulação de conteúdos sem respaldo científico. "Dietas prontas e promessas de emagrecimento rápido desconsideram a individualidade de cada pessoa e podem trazer consequências importantes para a saúde", explica.

A docente destaca que essas práticas podem favorecer deficiências nutricionais, perda de massa muscular, efeito sanfona e transtornos alimentares. Além disso, podem agravar doenças crônicas e autoimunes, dificultar o controle de condições como diabetes e hipertensão e, durante a gestação, comprometer a saúde da mãe e o desenvolvimento do bebê. "A alimentação deve ser planejada de forma individualizada por um nutricionista, considerando as necessidades, os objetivos e as condições de saúde de cada pessoa", reforça.
Diante desse cenário, a formação de profissionais preparados para orientar a população com base em evidências científicas torna-se cada vez mais necessária. De acordo com a professora Narjan Keila, a graduação vai muito além de ensinar a elaborar planos alimentares. "A formação universitária prepara profissionais com base em evidências científicas, pensamento crítico e responsabilidade ética para interpretar informações, orientar a população e combater a desinformação que circula nas redes sociais", afirma. Na UNIFAN, essa preparação acontece por meio da integração entre conhecimento técnico, prática clínica e formação humanizada.
Ao longo da graduação, os estudantes desenvolvem competências para avaliar cada paciente de forma individual, interpretar criticamente as informações disponíveis no ambiente digital e construir estratégias alimentares seguras, eficazes e alinhadas à realidade de cada pessoa.
Mais do que seguir tendências, cuidar da alimentação exige conhecimento, acompanhamento profissional e compreensão de que não existe uma dieta única capaz de atender todas as pessoas. Em um cenário dominado por algoritmos e conteúdos virais, a ciência continua sendo o caminho mais seguro para quem busca qualidade de vida e bem-estar.



