A jornalista e pesquisadora Midiã Noelle marcou presença nesta quinta-feira (16) no Café Literário promovido pelo Governo do Estado da Bahia, durante a Bienal do Livro de Salvador. No painel 'Sobrevivendo na Era das Fake News', realizado às 14h, ela debateu ao lado do escritor e ex-deputado federal Jean Wyllys e do jornalista e escritor Emiliano José, com mediação de Tarsilla Alvarindo, os impactos da desinformação sobre a democracia e o papel da comunicação no enfrentamento a esse fenômeno.
No debate, Midiã defendeu que o combate às fake news não pode ser dissociado do enfrentamento ao racismo estrutural. Para a pesquisadora, a desinformação afeta de forma desproporcional as populações negras e periféricas, e uma comunicação verdadeiramente antirracista precisa ser também anti-punitivista e comprometida com a restituição da humanidade da população negra no espaço público midiático.
A participação na Bienal do Livro ocorre em momento de destaque nacional para a pesquisadora. Midiã é autora de Comunicação Antirracista: um guia para se comunicar com todas as pessoas, em todos os lugares, publicado pela Editora Planeta, com lançamentos já realizados em São Paulo, Brasília, Salvador e Nova York. A obra propõe reflexões e ferramentas práticas para uma comunicação livre de preconceitos — dentro e fora das redações.
O governo da bahia através da secretaria de cultura, adquiriu 3 mil exemplares do livro Comunicação Antirracista: um guia para se comunicar com todas as pessoas, em todos os lugares, de Midiã, publicado pela Editora Planeta, para distribuição gratuita a estudantes e professores da rede pública estadual, transformando o trabalho da pesquisadora em política pública de educação.
"_Em ano eleitoral, a desinformação deixa de ser um problema de comunicação e se torna uma ameaça direta à democracia. As fake news não circulam de forma neutra, elas têm alvos preferenciais, e esses alvos são sempre os mesmos: pessoas negras, periféricas, mulheres, populações historicamente silenciadas. Precisamos nomear isso para poder enfrentar."_
— Midiã Noelle
Nascida no bairro da Liberdade, em Salvador, Midiã é mestre em Cultura e Sociedade pela UFBA e diretora-geral do Instituto Commbne, organização dedicada à comunicação para a justiça racial em perspectiva afrodiaspórica. Sua trajetória inclui passagens pelo UNFPA e pelo PNUD (agências da ONU), além de atuação no movimento negro, na mídia e na gestão pública. Como consultora da Unesco, coordenou a elaboração do Plano de Comunicação pela Igualdade Racial do Governo Federal, primeiro documento desta natureza na história das políticas públicas brasileiras.
Midiã integra o Comitê de Diversidade da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e é reconhecida como uma das 100 pessoas negras mais influentes dos países de língua portuguesa pelo prêmio Bantumen Powerlist 100 (2021).

_Eu escrevi esse livro para que ele chegasse às mãos de quem mais precisa. Saber que 3 mil estudantes e professores da Bahia vão ter acesso a ele é a confirmação de que comunicação antirracista não é pauta de nicho — é fundamento para uma educação que reconhece a humanidade de todas as pessoas. Começa aqui, começa na Bahia."_
— Midiã Noelle
A presença de Midiã Noelle na Bienal do Livro de Salvador consolida o reconhecimento de uma trajetória construída na intersecção entre comunicação, raça e democracia — e reafirma Salvador como berço de referências intelectuais de projeção nacional e internacional.
SOBRE O EVENTO
Evento: Café Literário — Sobrevivendo na Era das Fake News
Realização: Governo do Estado da Bahia
Data: 16 de abril de 2025 — Bienal do Livro Salvador
Participantes: Midiã Noelle, Jean Wyllys e Emiliano José
Mediação: Tarsilla Alvarindo



