O Mercosul voltou a ganhar espaço nas estratégias de internacionalização de empresas brasileiras. Dados da Secretaria de Comércio Exterior indicam que o bloco respondeu por cerca de 7% a 8% das exportações do país em 2025, com corrente de comércio superior a US$ 40 bilhões anuais. A retomada ocorre em meio à busca por diversificação de mercados diante de tensões geopolíticas e disputas comerciais globais.
Além da proximidade geográfica, o perfil da pauta exportadora ajuda a explicar o movimento. Diferentemente de mercados como China, que concentram compras em commodities, os países do Mercosul são importantes compradores de produtos industrializados brasileiros, como veículos, máquinas, equipamentos e bens de maior valor agregado.
Fábio Nascimento, contador e CEO do Grupo FN, afirma que o bloco regional costuma ser um primeiro passo natural para empresas que pretendem iniciar operações no comércio exterior. “O Mercosul reúne condições que facilitam a entrada de empresas brasileiras no comércio internacional. Há acordos tarifários, proximidade logística e uma demanda relevante por produtos industrializados”, afirma.
Entre os destinos regionais, a Argentina segue como um dos principais parceiros industriais do Brasil. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que mais de 85% das exportações brasileiras para o país são produtos manufaturados, incluindo automóveis, autopeças, máquinas e equipamentos industriais. O fluxo comercial tem peso relevante para cadeias produtivas brasileiras ligadas à indústria automotiva, metalmecânica e de tecnologia.

Esse cenário também abre espaço para empresas localizadas fora dos grandes centros industriais. Regiões como o Vale do Paraíba, que reúne polos de manufatura avançada, tecnologia e indústria aeroespacial, têm potencial para ampliar presença no comércio regional. Empresas instaladas na região produzem componentes, equipamentos e soluções tecnológicas que podem encontrar demanda crescente em países vizinhos.
Segundo o especialista, muitas companhias de médio porte ainda não exploram o mercado regional por acreditarem que exportar exige uma estrutura complexa. “A internacionalização costuma ser vista como algo distante da realidade de empresas médias, mas o Mercosul pode ser um caminho mais acessível para iniciar esse processo”, aponta.
O avanço do comércio exterior também tem ampliado a presença de pequenas e médias empresas brasileiras nas exportações. Levantamento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e do Ministério do Desenvolvimento mostra que mais de 40% das empresas exportadoras do país são pequenas ou médias, embora ainda representem uma parcela menor do valor total exportado.
Para o executivo, esse dado mostra que o comércio internacional deixou de ser exclusivo de grandes companhias. “Hoje existem programas de apoio, linhas de financiamento e estruturas de consultoria que ajudam pequenas e médias empresas a acessar mercados internacionais”, explica.
O especialista aponta cinco medidas para empresas do Vale do Paraíba a se prepararem para exportar ao Mercosul
Especialistas apontam que a entrada em mercados regionais exige planejamento, organização e análise estratégica. Algumas medidas ajudam a reduzir riscos e aumentar a competitividade.
- Mapear a demanda nos países do bloco
Estudos de mercado ajudam a identificar quais produtos possuem maior potencial de venda em Argentina, Paraguai e Uruguai.
- Adequar produtos e documentação
Mesmo com integração regional, cada país possui normas técnicas e exigências regulatórias específicas.
- Planejar logística e transporte
A proximidade geográfica facilita rotas rodoviárias e reduz custos logísticos, mas planejamento é essencial para manter prazos e competitividade.
- Estruturar planejamento tributário e cambial
Operações internacionais exigem análise de regimes tributários, contratos de exportação e gestão de câmbio.
- Buscar apoio especializado
Consultorias de comércio exterior e despachantes aduaneiros ajudam a estruturar a operação e evitar erros comuns.
De acordo com o CEO do Grupo FN, empresas que se organizam antes de iniciar exportações aumentam as chances de sucesso. “Exportar exige planejamento financeiro, logístico e jurídico. Quando a empresa estrutura esses pilares, o processo tende a ser muito mais seguro”, destaca.
Vantagens e alertas para empresas que pretendem exportar
A expansão para mercados regionais pode trazer ganhos relevantes para companhias brasileiras. Entre os benefícios estão a ampliação de mercado consumidor, diversificação de receitas e possibilidade de ganho de escala na produção.
Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a internacionalização exige atenção a fatores como variações cambiais, diferenças regulatórias e gestão de contratos internacionais. Avaliar capacidade produtiva, logística e estrutura financeira antes de assumir novos compromissos comerciais é considerado essencial.
Segundo o executivo, empresas que adotam uma estratégia gradual de internacionalização tendem a consolidar presença regional e ampliar competitividade. “Começar pelo Mercosul permite que a empresa aprenda a operar no comércio exterior, desenvolva processos internos e construa experiência para acessar mercados mais distantes no futuro”, conclui.
Em um cenário global marcado por instabilidade geopolítica e reorganização das cadeias produtivas, a integração regional volta a ganhar importância estratégica. Para indústrias instaladas fora dos grandes centros econômicos, o fortalecimento do comércio dentro do Mercosul pode representar uma oportunidade concreta de ampliar exportações e reduzir a dependência de poucos mercados internacionais.
Sobre Fábio Nascimento
Fábio Nascimento, 44 anos, é contador e CEO do Grupo FN. Com formação em Ciências Contábeis, pós-graduação em Planejamento e Controle Empresarial e especializações pela MBM Master Business School e MBM Advanced, atua há mais de duas décadas no desenvolvimento e na estruturação de empresas.
À frente do Grupo FN, liderou a transição de uma contabilidade tradicional para um hub de soluções empresariais com atuação no Brasil e nos Estados Unidos. É idealizador e mentor do Impacto Club, associado ao MLS e Energy Club, sócio do FIRE Club, ligado à MLS de Joel Jota, Caio Carneiro e Flávio Augusto, além de sócio equity do ABS.
Também é colunista do programa Manhã na Band e da Revista LIFE, e integra o Grupo do Master de Contabilidade, formado pelos 150 maiores contadores do Brasil.
O empresário mantém atuação voltada ao desenvolvimento empresarial e à formação de empresários por meio de ambientes estratégicos de networking e capacitação.
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Sobre o grupo FN
Fundado em 1993, o Grupo FN é um hub de soluções empresariais com atuação no Brasil e nos Estados Unidos. Com mais de 1.500 clientes ativos e cerca de 100 colaboradores, reúne serviços integrados nas áreas de contabilidade consultiva, BPO financeiro, tributário, legalização, soluções de RH, certificado digital, treinamentos empresariais e estruturação internacional por meio da FN EUA.
A empresa surgiu como Contabilidade FN, fundada pelo pai de Fábio Nascimento, e evoluiu para um ecossistema empresarial que integra tradição familiar e inovação estratégica. O grupo atua como parceiro consultivo, apoiando empresários na tomada de decisão, organização financeira, inteligência tributária e crescimento estruturado.
Com foco em análise de dados, atendimento próximo e visão de longo prazo, o Grupo FN se posiciona como um ambiente de suporte estratégico para empresas que buscam previsibilidade, eficiência e expansão sustentável.
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Fontes de pesquisa
World Bank – Trade (% do PIB) e indicadores de comércio global
https://data.worldbank.org/indicator/NE.TRD.GNFS.ZS
Relatórios sobre cadeias globais de valor e integração comercial
https://www.worldbank.org/en/topic/trade
Organização Mundial do Comércio (OMC / WTO)
Estatísticas globais de comércio internacional
https://www.wto.org/english/res_e/statis_e/statis_e.htm
Relatórios sobre comércio internacional e fluxos entre regiões
https://www.wto.org/english/res_e/booksp_e/world_trade_report_e.htm
CEPAL – Comissão Econômica para a América Latina e Caribe
Relatórios sobre integração econômica regional na América Latina
https://www.cepal.org/en/topics/international-trade
Dados sobre comércio intrarregional latino-americano
https://statistics.cepal.org
BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento
Estudos sobre comércio regional e cadeias produtivas na América Latina
https://www.iadb.org/en/topics/trade
Relatório anual Trade and Integration Monitor
https://www.iadb.org/en/research-and-data/trade-and-integration-monitor



