Dados da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) mostram que o país encerrou julho de 2026 com 480.067 empresas que empregavam trabalhadores registrados. Apenas naquele mês, houve uma redução de 948 empregadores em relação a junho, prolongando uma sequência de 18 meses consecutivos de queda.
Na comparação com novembro de 2023, último mês completo da gestão de Alberto Fernández, quando havia 512.357 empresas registradas, a diminuição chega a 32.290 estabelecimentos. O levantamento considera empregadores dos setores público e privado.
Número de empresas atinge menor patamar em quase duas décadas
Segundo o periódico La Nación, a redução levou o total de empregadores argentinos a um nível semelhante ao de 2007.
O desempenho recente também se destaca na comparação com períodos de crise. Em fevereiro de 2020, antes do início das restrições provocadas pela pandemia de Covid-19, a Argentina contabilizava 508.187 empresas registradas, número superior ao atual.
Já em setembro de 2021, quando a quantidade de empregadores atingiu seu menor patamar durante a pandemia, havia 486.782 empresas em atividade. O total registrado em julho de 2026 ficou 6.715 abaixo daquele nível.
No acumulado dos 12 meses anteriores a julho, o país perdeu 15.475 empresas, o equivalente a uma retração de 3,1%. Considerando apenas 2026, o fechamento de 9.682 empregadores correspondeu a uma queda de 1,97% em relação aos 489.749 registrados em dezembro de 2025.
Leia também: Milei aumenta tensão sobre disputa pelas Malvinas enquanto Trump questiona apoio dos EUA ao Reino Unido
Custos elevados e dificuldades econômicas pressionam empresas
A diminuição do número de empregadores ocorre em um ambiente de custos operacionais elevados, especialmente para empresas que dependem de insumos, transporte e financiamento.
Entre os fatores apontados para explicar esse cenário estão a valorização cambial, que aumenta determinados custos em dólares, a carga tributária e as despesas logísticas. A redução dos investimentos em obras públicas também afeta atividades ligadas à construção e a outros segmentos que dependem desses projetos.
A combinação dessas condições compromete a capacidade de parte das empresas argentinas de competir no mercado interno e externo, sobretudo quando apresentam níveis de produtividade insuficientes para absorver os custos.
Apesar da tendência de retração, a SRT ressalta que a saída de um empregador das estatísticas não significa necessariamente o encerramento definitivo de uma empresa. Alterações cadastrais, reorganizações societárias, mudanças na contratação de funcionários e modificações na estrutura das empresas também podem provocar a redução do número de empregadores registrados.
A redução da quantidade de empresas ocorre paralelamente ao enfraquecimento do mercado de trabalho argentino.
Informações do Ministério do Capital Humano, responsável pela área trabalhista, mostram que o emprego formal no setor privado recuou em julho de 2026, com a eliminação de 10.814 postos em relação ao mês anterior.
Na comparação anual, a perda chegou a aproximadamente 121 mil empregos. Em junho de 2025, o país contabilizava 6,216 milhões de trabalhadores com registro formal no setor privado. Em junho de 2026, esse contingente havia diminuído para 6,096 milhões.
Os indicadores demonstram que a retração não se limita ao número de empresas, mas também atinge a capacidade de contratação dos empregadores que permanecem em atividade.
O mercado de trabalho registrou uma queda mensal de 0,03% em julho, segundo dados da Secretaria do Trabalho. Embora a diminuição tenha sido menos intensa do que em períodos anteriores, o resultado completou sete meses consecutivos de recuo.
Entre janeiro e julho de 2026, a redução acumulada do emprego formal foi de 0,66%. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a queda chegou a 0,6%.
Atividade econômica também apresenta sinais de enfraquecimento
As dificuldades enfrentadas pelas empresas e pelo mercado de trabalho ocorrem em um contexto de perda de ritmo da atividade econômica. Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec), a economia do país apresentou retração de 2,9% em julho de 2026, na comparação com junho, considerando os dados com ajuste sazonal.
Em relação a julho de 2025, a queda foi de 1,4%. Apesar do resultado negativo naquele mês, a atividade econômica acumulou crescimento de 1,7% nos primeiros sete meses de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Os números indicam que, embora a economia tenha apresentado expansão no acumulado do ano, o desempenho mais recente passou a mostrar sinais de enfraquecimento. A desaceleração também aparece em setores como mineração, energia e agronegócio, que haviam registrado investimentos e expansão, mas não foram suficientes para impedir a deterioração dos indicadores gerais de emprego e atividade empresarial.
Projeções de crescimento são revisadas para baixo
A perda de dinamismo da economia argentina levou instituições financeiras e analistas a reduzirem as expectativas de crescimento para 2026 e 2027. O Banco Mundial revisou sua projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) argentino em 2026, de 3,6% para 2,1%. Para 2027, a estimativa foi reduzida de 3,7% para 3%.
O mesmo movimento apareceu no Relatório de Expectativas de Mercado (REM), elaborado a partir de pesquisas divulgadas pelo Banco Central da República Argentina (BCRA). O consenso dos analistas consultados passou a indicar crescimento de 1,2% a 1,5% para 2026.
As revisões refletem uma avaliação menos favorável sobre a capacidade de recuperação da economia no curto prazo. Nesse cenário, a evolução do consumo, dos investimentos e das condições de financiamento será determinante para a retomada da atividade empresarial e da geração de empregos.



