Concedido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no âmbito da Década da ONU da Restauração de Ecossistemas, o reconhecimento faz do Brasil o único país, até o momento, com duas iniciativas consideradas referências mundiais em restauração.
A Araticum é uma rede colaborativa multissetorial criada em 2020 com a meta de promover a restauração do Cerrado inclusiva e em escala, integrando a ciência formal aos conhecimentos dos povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares para a conservação da água, do clima e da sociobiodiversidade.
Na governança da rede desde a sua fundação, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) coordena o eixo de produção, sistematização e difusão de conhecimento técnico.
“Por meio dessa atuação, a Unidade participa da cadeia de valor da restauração no Cerrado e contribui tecnicamente para agendas e políticas públicas de alcance nacional”, informa o pesquisador da Embrapa, Daniel Vieira.
Segundo ele, o reconhecimento da ONU valida um modelo no qual a pesquisa científica compõe redes territoriais multissetoriais. A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia aporta o conhecimento fundamental em tecnologia de sementes, métodos eficientes de restauração ecológica, como a semeadura direta e a regeneração natural assistida, e protocolos de monitoramento da vegetação nativa e do sucesso de projetos de larga escala.
Um exemplo desse aporte de conhecimento fundamental para superar os gargalos históricos da restauração no bioma Cerrado é a tecnologia da “muvuca” de sementes (semeadura direta), que vem sendo construída por um conjunto de instituições e pessoas.
A “muvuca” permite cobrir extensas áreas degradadas com baixo custo e a possibilidade de incluir espécies herbáceas nativas do Cerrado, garantindo alta diversidade biológica e resiliência frente às mudanças climáticas. “A ciência aplicada ajuda a garantir a viabilidade técnica, genética e ecológica das áreas em recuperação”, destaca Daniel Vieira.



