A convergência entre a inteligência artificial e a criptoeconomia deve ditar o próximo grande ciclo do mercado financeiro, permitindo que algoritmos realizem transações de forma autônoma, afirmou Rodrigo Batista, CEO da Digitra, para o quadro Cripto Brasil do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Ele destacou que a integração entre as tecnologias é o foco de sua atuação profissional e tema de seu próximo livro: “Acredito que veremos IAs pagando umas às outras com criptomoedas, o que para mim é muito natural. Já vemos pessoas utilizando algoritmos de IA para investir em criptoativos e, em algum momento, teremos seres humanos sendo pagos por inteligências artificiais em ativos digitais”.
Reforçando essa visão, Mike Belshe, CEO da BitGo, explicou que a infraestrutura para que robôs possuam suas próprias carteiras digitais já está sendo construída. “Como a IA não pode lidar com dinheiro físico, estou certo de que usará ativos digitais. As stablecoins são excelentes para pagamentos por serem fáceis de entender e funcionarem todos os dias do ano; por isso, a conexão da IA com o dinheiro será obviamente no formato digital”, afirmou.
Além do uso por IAs, Mike Belshe ressaltou que 2026 marca uma aceleração na tokenização de ativos do mundo real por grandes instituições financeiras. “A BlackRock e a Franklin Templeton já anunciaram planos de tokenizar ações e ativos, e o acesso direto ao DeFi por instituições tradicionais está chegando rápido. Com a mudança no ambiente regulatório no último ano, todos sentem que podem participar de uma forma colaborativa com os reguladores, o que é benéfico para a economia e para os consumidores”.
No entanto, a regulação desse novo ecossistema deve caminhar em um ritmo mais lento do que a inovação tecnológica, segundo a análise de Rodrigo Batista. “Os reguladores costumam ser mais lentos porque as tecnologias precisam de escala para serem compreendidas. Se levamos 15 anos para discutir a regulação de stablecoins, acredito que a regulação da IA com tokens deve demorar pelo menos mais 5 anos, pois ninguém sabe ainda exatamente para onde essa tecnologia vai evoluir”.



