Salvador, BA terça-feira, 23 de junho de 2026

Fim da escala 6x1 e escassez de profissionais ampliam desafio de bares e restaurantes

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José Mion
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Fim da escala 6x1 e escassez de profissionais ampliam desafio de bares e restaurantes
A dificuldade para contratar profissionais qualificados e o debate sobre o fim da escala 6x1 têm levado bares e restaurantes a repensar a gestão de pessoas. Em Salvador, empresários enfrentam desafios como alta rotatividade e escassez de mão de obra.

Encontrar profissionais qualificados tem se tornado uma tarefa cada vez mais difícil para empresários do setor de alimentação fora do lar. Em meio ao debate nacional sobre o fim da escala 6x1 e às transformações nas relações de trabalho, bares e restaurantes enfrentam uma combinação de fatores que tem pressionado a operação dos negócios e exigido novas estratégias para atrair e reter talentos.


Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostram que cerca de 88% das empresas do setor relatam dificuldades para preencher vagas. Em todo o país, são aproximadamente 500 mil postos de trabalho em aberto, um cenário que afeta desde pequenos estabelecimentos até grandes grupos gastronômicos.


Em Salvador, onde turismo, gastronomia e entretenimento são importantes motores da economia, a disputa por profissionais tem se intensificado nos últimos anos. Funções como cozinheiro, gerente, maître e líder de atendimento estão entre as que apresentam maior dificuldade de contratação.


Para a especialista em RH Estratégico e Gestão de Pessoas Fabiola Reis, as empresas precisam compreender que a escassez de mão de obra vai além da simples abertura de vagas. “O desafio atual vai muito além de preencher vagas. As empresas precisam entender que a atração e a retenção de talentos passam por cultura organizacional, desenvolvimento de lideranças e qualidade das relações de trabalho. Os profissionais estão mais criteriosos na hora de escolher onde querem atuar, e isso exige uma mudança de postura dos empregadores”, afirma.


Segundo ela, a mudança de comportamento dos trabalhadores, especialmente entre as gerações mais jovens, tem levado as empresas a rever modelos de gestão tradicionalmente adotados pelo setor. A discussão ganha ainda mais relevância diante das possíveis mudanças na jornada de trabalho. A Abrasel estima que uma eventual substituição obrigatória da escala 6x1 por modelos mais reduzidos poderia elevar os custos de mão de obra em cerca de 20% nos bares e restaurantes, aumentando a pressão sobre contratações e retenção de equipes.


Para Acácio Sacerdote, CEO do Grupo Food Qualy, o problema deixou de ser apenas operacional e passou a impactar diretamente a competitividade dos negócios. “Historicamente, o food service enfrenta desafios como jornadas intensas, alta rotatividade e dificuldade de formação de lideranças. Hoje, porém, esses temas deixaram de ser apenas questões operacionais e passaram a impactar diretamente a competitividade e a sustentabilidade dos negócios”, destaca.


De acordo com o empresário, muitos estabelecimentos ainda sofrem com processos seletivos pouco estruturados e com a falta de planejamento para desenvolver e manter profissionais nas equipes. “O empresário que continuar enxergando o RH apenas como um departamento burocrático vai ficar para trás. Hoje, a área de pessoas é estratégica para a sustentabilidade do negócio, principalmente em segmentos intensivos em mão de obra como bares, restaurantes, cafeterias e hotéis”, afirma.


Foi a partir desse cenário que surgiu a Food RH, iniciativa criada pela união da experiência do Grupo Food Qualy no segmento de food service com a expertise da Recriarh em gestão de pessoas. Liderada por Fabiola Reis, a operação foi estruturada para atender demandas de recrutamento, seleção e desenvolvimento de equipes em negócios de alimentação. A proposta é oferecer suporte desde a definição do perfil profissional e divulgação de vagas até a triagem de currículos, entrevistas, processos de contratação e ações voltadas à retenção de talentos. A expectativa é atender tanto pequenos empreendedores quanto grupos gastronômicos e redes de alimentação que enfrentam dificuldades para montar e manter equipes qualificadas.


Para especialistas do setor, a tendência é que a gestão de pessoas ganhe protagonismo crescente nos próximos anos, à medida que as empresas precisem conciliar produtividade, qualidade de vida dos colaboradores e sustentabilidade financeira em um mercado cada vez mais competitivo.

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