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FEIRENSE FRANKLIN MACHADO, O MAXADO NORDESTINO, NO CAMINHO DA ABL

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KARLA FERREIRA

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FEIRENSE FRANKLIN MACHADO, O MAXADO NORDESTINO, NO CAMINHO DA ABL

Com mais de cinco décadas dedicadas à literatura de cordel, escritor e jornalista feirense busca uma cadeira na Academia Brasileira de Letras

A literatura de cordel ganhou na Bahia um de seus mais importantes representantes com o trabalho desenvolvido, há mais de cinco décadas, pelo feirense Franklin Cerqueira Machado, conhecido no universo da cultura popular como Maxado Nordestino. Jornalista, advogado e escritor, Franklin construiu uma trajetória marcada pela dedicação à poesia popular e hoje coloca seu nome na disputa por uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL).

Nascido em uma tradicional família de Feira de Santana, Franklin Machado tomou uma decisão que mudaria sua vida em 1972: abriu mão de uma trajetória profissional convencional para se dedicar à produção e comercialização de livros de literatura de cordel. O trabalho o levou a cidades como Rio de Janeiro e São Paulo e consolidou seu nome como uma das principais referências do gênero na Bahia.

Embora a literatura de cordel tenha origem europeia e chegado ao Brasil por meio dos portugueses, foi no Nordeste que encontrou terreno fértil para se desenvolver. Os folhetos, tradicionalmente expostos em cordões ou barbantes nas feiras e espaços públicos, passaram a retratar personagens, acontecimentos históricos, romances, política, cangaço, religiosidade e temas do cotidiano.

Estados como Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte se tornaram importantes centros dessa produção literária. Na Bahia, Feira de Santana também exerceu papel relevante na circulação e preservação dessa manifestação cultural, impulsionada principalmente pela força de sua tradicional feira livre e pela feira do gado.

Feira de Santana como território do cordel

A dimensão da feira feirense atraiu, ao longo dos anos, diversos artistas populares. Entre eles esteve o alagoano Rodolfo Coelho Cavalcante, que viveu em Salvador e também passou por Feira de Santana. Durante sua passagem pela cidade, produziu, entre outras obras, O bicho que está aparecendo em Feira de Santana.

Outro nome conhecido foi Cuíca de Santo Amaro, natural de Salvador, que também encontrou na feira feirense inspiração para sua produção. Entre seus trabalhos está Os criminosos de Feira, baseado em um episódio que ganhou notoriedade na sociedade local.

A cidade também recebeu e revelou outros nomes ligados à literatura popular, como Antônio Alves dos Santos, Erotíldes Miranda dos Santos, os irmãos Caboquinho (José Crispim Ramos) e João Ramos, Jota Carlos, Siviriano Dionísio Gonçalves, Arlindo Rosa, Zadir Porto, Jurivaldo Alves e sua filha Patrícia Oliveira, além de Domingos Santeiro, Cassimiro e o comunicador Nivaldo Cruz.

Foi, porém, com Franklin Machado que a literatura de cordel ganhou uma projeção ainda maior a partir de Feira de Santana.

Uma vida dedicada ao cordel

Filho do dentista Isaac Barros Machado e da professora Anita Vitória Cerqueira Machado, Franklin conciliou sua formação intelectual com uma produção literária marcada pela diversidade temática.

Ao longo de mais de 50 anos de atividade, publicou uma extensa quantidade de folhetos e livros de cordel, estimada em quase uma centena de títulos. Sua produção aborda diferentes temas e também inclui trabalhos voltados à própria compreensão e preservação da literatura popular, como o livro O que é a Literatura de Cordel.

A trajetória de Maxado Nordestino ultrapassou a produção dos folhetos. Ele integrou a Academia Feirense de Letras, foi diretor da Casa do Sertão, vinculada à Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), e também esteve à frente do Museu Regional. Como jornalista, passou por importantes veículos de comunicação da Bahia.

Esse conjunto de experiências fez de Franklin Machado uma referência não apenas para Feira de Santana, mas para a literatura de cordel produzida na Bahia.

Rumo à Academia Brasileira de Letras

Agora, o escritor feirense pretende levar essa trajetória para um dos espaços mais tradicionais da literatura brasileira. Franklin Machado pleiteia uma vaga na Academia Brasileira de Letras, buscando a Cadeira nº 32, anteriormente ocupada pelo jornalista e escritor Zuenir Ventura, que sucedeu o escritor paraibano Ariano Suassuna.

A candidatura representa também uma tentativa de ampliar o espaço da literatura popular dentro da principal instituição literária do país.

Para Maxado Nordestino, a presença do cordel na ABL seria um reconhecimento à importância de uma manifestação que nasceu ligada às camadas populares e se transformou em patrimônio cultural brasileiro.

A defesa de sua candidatura se resume em uma frase que traduz a essência de sua trajetória:

“Se o Cordel já é patrimônio cultural, é justo que tenha assento entre quem é imortal.”

Mais do que uma candidatura individual, o movimento de Franklin Machado representa a busca por reconhecimento de uma tradição literária que ajudou a contar a história, os costumes e os personagens do povo nordestino. E, para Feira de Santana, significa ver um de seus filhos mais dedicados à cultura popular buscar espaço entre os grandes nomes da literatura brasileira.