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Fabiana Queiroga apresenta em Salvador exposição que une pintura, bordado e escultura a partir do Cerrado

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Fabiana Queiroga apresenta em Salvador exposição que une pintura, bordado e escultura a partir do Cerrado

Com abertura em 17 de novembro, na Galeria Tria, mostra reúne pinturas, esculturas, bordados e objetos que investigam a paisagem como experiência de memória, matéria e criação

A paisagem não termina onde a vista alcança. Ela permanece no corpo, atravessa a memória e reaparece, transformada, nos gestos de quem cria. É dessa relação com a natureza — e, especialmente, com a luz e a vegetação do Cerrado — que parte a exposição Fulgor da Paisagem: o alumbramento na obra de Fabiana Queiroga, que abre em 17 de novembro, na Galeria Tria, em Salvador, Bahia.


Nascida em Goiânia, Fabiana Queiroga carrega em sua produção as marcas de uma convivência íntima com a terra e os jardins. Entre plantas, roseiras, espinhos e pequenas esculturas feitas ainda na infância, formou-se um repertório que hoje reaparece em trabalhos nos quais a natureza está longe de ser apenas tema ou paisagem a ser representada. Ela é matéria viva, memória e força de invenção.


“Interessa-me o que acontece entre uma linguagem e outra: quando a pintura se aproxima do bordado, quando a linha ganha corpo e a escultura parece guardar um gesto. É nesse espaço de descoberta que construo uma mitologia própria, feita de matéria, memória e imaginação”, conta Fabiana. 




Com texto curatorial de Bianca Coutinho Dias, a mostra aproxima pinturas, esculturas, bordados e objetos que se contaminam mutuamente. Uma pintura pode guardar questões que começaram na escultura; o bordado pode prolongar um desenho ou introduzir novas camadas de sentido. É justamente nesse intervalo entre as linguagens, quando uma forma ainda não está inteiramente definida, que a artista encontra possibilidades para o trabalho.


O Cerrado atravessa essa investigação não apenas por suas formas, mas também pela intensidade de sua luz. A vegetação retorcida, os tons terrosos e a aparente aridez convivem com a capacidade de florescer em condições adversas. Na obra de Fabiana, essa tensão se converte em cor, movimento e atmosfera. Vermelhos, rosas, verdes, ocres e tons de palha compõem paisagens que parecem oscilar entre o concreto e o imaginado, como se algo estivesse sempre prestes a surgir da superfície.


Essa experiência também se manifesta na diferença entre os tempos de cada técnica. Enquanto a pintura acolhe a velocidade do gesto, o bordado exige repetição, precisão e espera. Linha, tecido e superfície tornam-se territórios de experimentação, nos quais perfurar e suturar são também maneiras de construir imagens e tensionar as fronteiras entre o visível e o invisível. Em algumas obras, guizos acrescentam uma dimensão sonora ao conjunto, ampliando a percepção para além do olhar.




Em Fulgor da Paisagem, o alumbramento do título não se limita à beleza de uma paisagem iluminada. Trata-se do espanto diante daquilo que, mesmo familiar, permanece enigmático: uma vegetação que floresce onde parecia não haver vida, uma cor que altera a percepção de uma superfície, uma matéria que ganha novas possibilidades nas mãos da artista. A natureza, nessa perspectiva, não está separada de quem a observa. Ela também nos habita.


Ao transformar as marcas do Cerrado em uma pesquisa que transita entre diferentes materiais e linguagens, Fabiana Queiroga constrói uma espécie de cartografia sensível, na qual paisagem, corpo e imaginação deixam de ocupar territórios distintos. Em Salvador, a exposição convida o público a se aproximar desse universo sem buscar respostas definitivas, deixando espaço para o espanto, a experiência e aquilo que ainda não pode ser nomeado.


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Serviço

Fulgor da Paisagem: o alumbramento na obra de Fabiana Queiroga
Abertura: 17 de novembro de 2026
Local: Galeria Tria — Salvador, Bahia
Texto curatorial: Bianca Coutinho Dias