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Estresse crônico afeta saúde mental e produtividade, alerta neurocientista em palestra em Salvador

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Gabriel Brito
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Estresse crônico afeta saúde mental e produtividade, alerta neurocientista em palestra em Salvador

No Setembro Amarelo, Michelle Meirelles chama atenção para uma rotina marcada pela urgência e explica como pressão contínua pode afetar trabalhadores, empresários e lideranças

Por: Nelson Santiago


A rotina de pressa, cobranças, excesso de informações e preocupações financeiras e profissionais pode manter o organismo em permanente estado de alerta e trazer consequências para a saúde mental. O tema foi abordado pela neurocientista Michelle Meirelles, nesta quinta-feira (10), em Salvador, durante palestra promovida pelo Rotary Club da Bahia.

Com o tema “Neurociência na Prática: Como sobreviver a uma Epidemia Silenciosa”, o encontro ocorre em um período de maior atenção ao assunto por causa do Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção ao suicídio e a importância dos cuidados com a saúde mental.

“A urgência se tornou uma identidade. E desacelerar não significa trabalhar menos, mas trabalhar diferente”, afirmou Michelle. Segundo a neurocientista, o estresse é uma resposta natural e necessária do organismo em determinadas situações. O problema está na sua permanência, quando o corpo passa a funcionar continuamente como se estivesse diante de uma ameaça.

Michelle comparou o sistema nervoso simpático ao “acelerador do carro”. É esse mecanismo que prepara o organismo para reagir ao perigo, com liberação de cortisol e adrenalina. Na vida cotidiana, porém, ele também pode ser acionado repetidamente por insegurança, dificuldades financeiras, trânsito, cobranças profissionais e até pela exposição constante a notícias negativas.

Os impactos chegam também ao ambiente de trabalho. Um dos fenômenos destacados foi o presenteísmo, situação em que o profissional comparece ao emprego, mas, por estar mentalmente comprometido, trabalha abaixo de sua capacidade. “Você está ali de corpo presente, não de mente presente”, explicou.

A pressão, segundo Michelle, não atinge apenas funcionários. Empresários e gestores também precisam ser considerados nas políticas de cuidado. “Quem cuida do líder? Quem cuida de quem mais está sendo pressionado?”, questionou, lembrando que decisões e resultados costumam recair justamente sobre quem ocupa posições de comando.

Entre as medidas simples apresentadas durante a palestra está o controle da respiração. A neurocientista ensinou uma técnica de inspirar pelo nariz em quatro tempos e expirar em seis, recurso que pode ser utilizado em momentos de tensão para favorecer a ativação do sistema nervoso parassimpático, associado ao repouso.

No contexto do Setembro Amarelo, a discussão reforça a importância de perceber sinais persistentes de sofrimento emocional antes que eles se agravem. Para Michelle, cuidar da saúde mental não deve ser encarado apenas como questão individual ou ação de bem-estar dentro das empresas. “Cuidar da saúde mental e da cultura não é um custo”, afirmou, defendendo o cuidado como investimento nas pessoas e nas próprias organizações.