Por conta disso, a tendência proteica vem alcançando alimentos que, até pouco tempo atrás, não eram associados a hábitos saudáveis, como pães e milk-shakes. O setor de pizzarias também tem ampliado essas opções em seus cardápios.
De acordo com Gustavo Cardamoni, presidente da Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra), embora algumas pizzarias já testassem produtos voltados ao público fitness de forma tímida, a oferta disparou nos últimos meses em resposta direta a esse novo comportamento de consumo.
“O consumidor desse tipo de produto tem poder decisório no grupo no momento da refeição. Caso a pizzaria não ofereça a opção, pode simplesmente ficar de fora das escolhas do coletivo”, adverte.
Proteína por fatia
As pizzarias apostam em duas vertentes principais: as opções que focam em inovações na massa — como farinhas enriquecidas, whey protein e proteínas isoladas de ervilha ou soja — e as que investem em recheios compostos por frango, carnes e queijos selecionados.
No ritmo das refeições funcionais, voltadas para pessoas que se preocupam com macronutrientes, a Pizza Prime lançará em setembro opções proteicas, destacando a quantidade de gramas de proteína por fatia em seu cardápio.
“A linha contará com sabores tradicionais do nosso cardápio, que passarão a comunicar a quantidade de proteína por fatia, além de dois novos sabores desenvolvidos especialmente para essa proposta. Queremos trazer novidades sem perder a familiaridade e o sabor de que os clientes já gostam”, explicou Renata Ozório, COO da Pizza Prime.
Raio-X do mercado
Apesar da alta na procura por pizzas funcionais, esse segmento ainda engatinha no Brasil. Dados da Apubra dão dimensão da relevância desse mercado no país.
O território nacional conta atualmente com 40.332 pizzarias ativas, registrando um crescimento de 10,29% em relação a 2024. Juntos, esses estabelecimentos impulsionam uma produção de aproximadamente 2,78 milhões de pizzas por dia, o que equivale a mais de 83 milhões de unidades por mês e ultrapassa a marca de 1 bilhão de pizzas produzidas anualmente.
Foco no sabor
Um dos principais desafios desse segmento é aproximar o produto fit da versão original. A palatabilidade — a famosa barreira em que o alimento saudável perde o apelo sensorial —, é um detalhe ao qual as pizzarias precisam se atentar. Nesse nicho, contudo, os especialistas apontam que a adaptação é consideravelmente mais suave do que em categorias como a vegana ou sem glúten.
“No caso das pizzas proteicas, o sabor não sofre alterações tão significativas quanto nas versões sem glúten ou veganas; portanto, a adaptação é bem mais fácil e sustentável. A utilização de whey protein na massa e de proteínas como carne desfiada e ovos na cobertura são exemplos de como transformar a pizza comum em um produto proteico de forma prática para os estabelecimentos, auxiliando na ampliação do cardápio”, explicou Cardamoni.



