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Conflito no Oriente Médio aumenta riscos para inflação e reforça desafio energético do Brasil

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Conflito no Oriente Médio aumenta riscos para inflação e reforça desafio energético do Brasil

Para o economista e professor da Faculdade do Comércio de São Paulo, Rodrigo Simões, o movimento representa um desafio para países em processo de redução das taxas de juros, como o Brasil, já que uma alta do petróleo funciona como um choque de oferta, podendo dificultar o controle inflacionário.

Fonte: Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC

A nova escalada dos ataques entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar os mercados globais e reacendeu as preocupações com os impactos da alta do petróleo sobre a inflação. Para o economista e professor da Faculdade do Comércio de São Paulo, Rodrigo Simões, o movimento representa um desafio para países em processo de redução das taxas de juros, como o Brasil, já que uma alta do petróleo funciona como um choque de oferta, podendo dificultar o controle inflacionário.


Segundo Simões, a alta recente do petróleo, que passou de cerca de US$ 71 para US$ 77 por barril, ainda é considerada um movimento pontual, provocado pelas incertezas em torno do conflito. O economista avalia que o comportamento da commodity dependerá dos próximos acontecimentos no Oriente Médio, especialmente após o rompimento do acordo de cessar-fogo.


Ele destaca, porém, que a dependência global do petróleo continua sendo um fator de vulnerabilidade para países que ainda não avançaram na transição energética. Na avaliação do especialista, economias desenvolvidas estão criando uma espécie de “seguro estrutural” ao acelerar a eletrificação, enquanto países da América Latina permanecem mais expostos às oscilações dos preços dos combustíveis.


No caso brasileiro, Simões afirma que a economia ainda depende fortemente de derivados de petróleo, como diesel, gasolina e fertilizantes. Para ele, medidas como subsídios podem aliviar temporariamente os efeitos da alta dos preços, mas acabam gerando pressão fiscal no longo prazo.


“O Brasil precisa avançar de forma mais consistente na transição energética para reduzir essa vulnerabilidade”, afirmou.


Eletrificação reduz risco de disparada do petróleo, mas não elimina pressão


Apesar da nova crise no Oriente Médio, o mercado não reagiu com a mesma intensidade observada em episódios anteriores, quando o petróleo chegou a ameaçar ultrapassar os US$ 120 por barril. Segundo Simões, um dos fatores que explicam essa reação mais moderada é o avanço das estratégias de eletrificação em diferentes países.