Salvador, BA terça-feira, 5 de maio de 2026

Cinco baianas que transformam palavras em resistência e afeto No Dia Mundial do Livro

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Cinco baianas que transformam palavras em resistência e afeto No Dia Mundial do Livro
Salvador celebra autoras que reescrevem a literatura brasileira com ancestralidade, ciência, cuidado e sabedoria popular

No Dia Mundial do Livro, celebrado em 23 de abril, cinco escritoras baianas merecem espaço de destaque nas prateleiras e nas conversas. De Salvador ao mundo, elas escrevem sobre antirracismo, interseccionalidade, educação, afeto e sabedoria popular, e provam que a literatura baiana contemporânea vai muito além das referências clássicas.


AS AUTORAS

 

Midiã Noelle — A comunicação como ferramenta de justiça racial

Jornalista, mulher negra, baiana do território da Liberdade em Salvador, Midiã Noelle é uma das principais vozes do antirracismo na comunicação contemporânea. Seu livro mais recente, Comunicação Antirracista: um guia para se comunicar com todas as pessoas, em todos os lugares, publicado pela Editora Planeta, propõe reflexões práticas para uma comunicação mais inclusiva e livre de preconceitos. O reconhecimento de sua trajetória veio com sua contratação pela Unesco como consultora e pesquisadora, responsável por redigir e implementar o Plano Nacional de Comunicação pela Igualdade Racial na Administração Pública Federal. O livro, que conta com apresentação de Carla Akotirene, já percorreu São Paulo, Brasília, Salvador, Recife e Nova York em lançamentos presenciais.

Por onde começar: Comunicação Antirracista (Editora Planeta, 2025)

 

Carla Akotirene — A pensadora que nomeou o que muitas viviam

Natural de Salvador, Carla Akotirene é assistente social, mestra e doutoranda em Estudos Feministas pela Universidade Federal da Bahia — e um dos principais nomes da atualidade para falar sobre feminismo negro. Além de atuar acolhendo vítimas de violência doméstica em Salvador, ela colocou o Brasil no centro do debate global sobre interseccionalidade com um livro que se tornou referência obrigatória nas universidades brasileiras. A obra propõe descolonizar perspectivas hegemônicas sobre a teoria da interseccionalidade, adotando o Oceano Atlântico como locus de opressões cruzadas — uma das formulações teóricas mais originais do feminismo negro contemporâneo.

Por onde começar: Interseccionalidade (Pólen/Jandaíra, 2019)  |  Ó pa í, prezada! (2020)

 

Bárbara Carine — A professora que faz a ciência ser preta

Nascida em Salvador em 1987, Bárbara Carine Soares Pinheiro é escritora, palestrante e professora efetiva da Universidade Federal da Bahia, graduada em Filosofia e Química, com mestrado e doutorado em Ensino de Química. Foi finalista do Prêmio Jabuti por dois anos seguidos e vencedora em 2024 na categoria Educação. Fundadora da Escola Afro-Brasileira Maria Felipa — primeira instituição do tipo reconhecida pelo Ministério da Educação —, ela articula educação e literatura como ferramentas de transformação social. Com quase 800 mil seguidores no Instagram sob o perfil @uma_intelectual_diferentona, Bárbara Carine democratiza o debate sobre racismo estrutural com linguagem que vai do universo acadêmico ao cotidiano das escolas públicas.

Por onde começar: Como ser um educador antirracista (Planeta, 2023)  |  História Preta das Coisas (LF Editorial, 2021)

 

Elisama Santos — A psicanalista que virou abraço em forma de livro

Nascida em 1985, na Bahia, Elisama Santos é escritora, psicanalista e apresentadora de TV. Autora dos best-sellers Educação não violenta (2019), Por que gritamos (2020) e Conversas Corajosas (2021), todos publicados pela Paz e Terra. Ao longo da carreira, lançou ainda seu primeiro romance Mesmo rio (Record, 2022), o guia Vamos conversar (2023), o livro infantil O primeiro mergulho (2024) e seu segundo romance Ensaios de despedida (2025) — totalizando 9 livros e mais de 200 mil exemplares vendidos. Sua obra transita entre a não ficção, que trata de parentalidade e comunicação não violenta, e a ficção, onde explora as heranças emocionais entre gerações de mulheres. É uma das escritoras baianas mais lidas do Brasil.

Por onde começar: Educação não violenta (Paz & Terra, 2019)  |  Mesmo rio (Record, 2022)

 

Lili Almeida — A sabedoria da avó que virou literatura

Cozinheira, apresentadora, escritora e influenciadora com mais de 1,3 milhão de seguidores, Lili Almeida transformou um caderno de receitas em carreira de sucesso. Durante a pandemia de Covid-19, ao encontrar anotações da época em que começou a cozinhar em São Paulo, gravou seu primeiro vídeo — que viralizou. A baiana entendeu que as pessoas precisavam de axé, de bom dia, de um sorriso — e foi isso que entregou, com o sotaque e a fé que a definem. Em A Gente Merece Ser Feliz Agora, reúne 101 reflexões com provérbios e ditos populares aprendidos com sua avó, mesclando sabedoria ancestral, letras de músicas e máximas de grandes personalidades. Participante da primeira temporada do Mestre do Sabor (TV Globo), prova que a sabedoria popular baiana tem alcance e profundidade nacionais.

Por onde começar: A Gente Merece Ser Feliz Agora — 101 Reflexões pra sua vida (2024)

 


POR QUE LER BAIANAS

Cinco mulheres negras. Cinco histórias enraizadas na Bahia. Cinco razões para abrir um livro hoje e descobrir que a literatura feita por aqui tem o poder de nomear o que a gente sente, reorganizar o que a gente pensa e transformar o mundo ao redor.

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