No mês de abril a balança comercial do agro baiano registrou um superávit de US$ 507 milhões – resultado 21% superior aos US$ 419 milhões registrados no mesmo período do ano passado.
O setor evitou uma queda maior da economia de todo o estado da Bahia, que registrou um déficit total de US$ 75,8 milhões.
Um levantamento realizado pela assessoria econômica do Sistema Faeb/Senar, divulgado nesta quarta-feira (27), mostra que o setor respondeu por 67,3% de tudo o que o estado exportou no quarto mês do ano.
De acordo com a Faeb, os números mostram que o desempenho do campo segue essencial para o equilíbrio das contas estaduais.
Enquanto os demais setores enfrentaram uma retração expressiva quando comparada ao mesmo período do ano anterior, o agro conseguiu demonstrar força e apresentou uma variação positiva de 21%.
Apesar de uma leve retração de 3,6% nas exportações, que passaram de US$ 596,7 milhões para US$ 575,1 milhões, o relatório aponta um forte ajuste nas importações, com queda de 61,8% (de US$ 177,8 milhões para US$ 67,8 milhões).
Crescimento acumulado no primeiro quadrimestre
O superávit do agronegócio apresentou uma trajetória de fortalecimento constante entre janeiro e abril de 2026.
Em janeiro, o saldo foi de US$ 278,5 milhões. Em fevereiro, o valor subiu para US 299,4 milhões. Já em março, o montante atingiu US$ 430,5 milhões.
O resultado culminou nos US$ 507,2 milhões registrados no mês de abril. Esse desempenho representa um crescimento acumulado de 82,1% no primeiro quadrimestre do ano. O resultado consolida o setor como o principal pilar das contas externas da Bahia.
Principais produtos
A pauta exportadora do estado revelou um comportamento heterogêneo entre os diferentes segmentos no mês de abril.
A concentração em soja e fibras compensou a perda de dinamismo em cadeias mais tradicionais, como café (-69%) e frutas (-1%).
O cacau e seus produtos, por exemplo, registraram queda de 32,0% nas vendas. Já os produtos florestais apresentaram retração de 13,8% no mesmo período comparativo.
Destinos das exportações e dependência externa
As vendas do agronegócio baiano possuem uma elevada concentração geográfica, com foco expressivo no mercado asiático.
A China permanece como o principal parceiro comercial, detendo 42,96% de participação. Somados, os três principais destinos absorveram 56,5% de tudo o que o setor exportou em abril.
Top 5 destinos do agro baiano em abril de 2026
- China: Compra majoritariamente soja em grãos e celulose;
- Países Baixos: Destino de soja, além de frutas frescas como mangas e limões;
- Vietnã: Importa principalmente soja, algodão e especiarias;
- Espanha: Mercado focado em soja, café, mangas, mamões e algodão;
- Egito: As vendas concentram-se em soja, algodão, carne bovina e café.
No entanto, o relatório alerta para uma forte dependência do mercado chinês para os produtores baianos.
Ainda segundo levantamento, o setor torna-se sensível a oscilações internacionais, mudanças cambiais e desacelerações econômicas específicas.
A Faeb alerta que é preciso atenção contínua aos riscos de concentração em poucos compradores externos.
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FOTO: GUILHERME SOARES



