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Abraçar São Francisco é preservar a memória de todos nós

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Abraçar São Francisco é preservar a memória de todos nós

Há lugares que não pertencem apenas a uma cidade. Pertencem à memória, à identidade e à história de um povo. A Igreja e Convento de São Francisco, no Centro Histórico de Salvador, é um desses patrimônios que atravessam o tempo e ajudam a contar quem somos.

Conhecida pela imponência de sua arquitetura barroca e pela riqueza de seus interiores, a chamada “Igreja de Ouro” enfrenta hoje um desafio que vai muito além da beleza que enxergamos: preservar sua estrutura para que as próximas gerações também possam contemplá-la.



Durante uma visita ao complexo franciscano, tive a oportunidade de conhecer de perto não somente sua grandiosidade, mas também algumas das necessidades de recuperação. Colocar o capacete e caminhar por aquele espaço em processo de restauração muda completamente o nosso olhar. Por trás do ouro, da arte e da imponência, existe um patrimônio que precisa de cuidado.



Foi nesse contexto que nasceu a campanha Abrace São Francisco, iniciativa que pretende mobilizar a sociedade e arrecadar recursos para intervenções e restaurações no complexo. Entre os pontos que demandam atenção estão estruturas do telhado, instalações elétricas, pisos, forros, bibliotecas, obras de arte e diferentes ambientes históricos.



O complexo já conta com investimentos públicos previstos pelo Novo PAC para parte das obras, mas os recursos não contemplam todas as necessidades apontadas. Por isso, a participação da sociedade passa a ter um papel importante nessa construção coletiva de preservação. 


E talvez esteja justamente aí a mensagem que mais me marcou.


Presença também é responsabilidade. Não basta admirarmos aquilo que recebemos das gerações anteriores. Precisamos decidir o que vamos fazer para que esse legado continue existindo depois de nós.



Frei Lorrane guardião da Comunidade Franciscana, resume essa essência ao lembrar que o verdadeiro brilho do monumento não está somente no ouro, mas também “na arte e no olhar de quem contempla essa arte”.



Salvador possui um patrimônio que encanta o mundo, movimenta o turismo, preserva nossa história e mantém viva uma parte fundamental da formação cultural brasileira. Cuidar dele é, portanto, muito mais do que restaurar paredes, imagens ou altares.



É restaurar memória. É preservar identidade. É deixar presença para o futuro.



Porque existem patrimônios que admiramos. E existem aqueles que também nos lembram de onde viemos e da responsabilidade que temos sobre aquilo que deixaremos para quem vem depois.


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Fonte:


July Lopes

Presença que conecta. Legado que permanece.