A sobrevivência das nossas festas juninas e julinas, esse tesouro de memória e pertencimento, está intimamente ligada a força da comunicação e a leitura da diversidade dos temperamentos humanos. É no encontro das falas, dos gestos e dos corações que a tradição mantém acesa a chama da nossa identidade coletiva, contra a invasão de uma cultura de massa sem rosto e sem alma.
A comunicação nessas festas não é uma verdadeira comunhão de sentidos que alinhava o passado ao presente. O grito do marcador da quadrilha, o estalido da fogueira e o colorido das bandeirinhas são formas de uma linguagem que diz quem somos e de onde viemos, estabelecendo um diálogo constante entre gerações.
Essa interação social, tecida no respeito e no acolhimento, cria um espaço de convivência onde a expressão popular se manifesta com todo o seu rigor e sua beleza, inclusive respeitando as peculiaridades regionais de um país de extensão continental como o nosso.
Observem a organização de um festejo desses que exige uma orquestra de perfis comportamentais distintos, cada qual com seu brilho e sua serventia para que a harmonia prevaleça.
Essa convivência de diferentes estilos de ser é o que dá liga à experiência social; sem o entendimento das naturezas de cada um, a festa seria apenas ruído. É a inteligência de saber lidar com o outro que permite que a tradição se renove sem perder o seu eixo, fazendo da festa um espaço de autoconhecimento e afirmação do espírito humano. Isso é comunicação aliada à comportamento.
Em suma, as festas de Santo Antônio, São João e de São Pedro são os últimos redutos da nossa poesia encarnada, onde a comunicação e a compreensão dos perfis humanos são os fios de ouro que bordam esse manto de cultura. Se quisermos preservar a nossa essência contra o esquecimento, devemos honrar esses espaços de expressão popular, onde o riso é franco e o abraço é verdadeiro. Viva a nossa gente, viva a beleza do nosso povo e que nunca nos falte a coragem de sermos nós mesmos!

