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Quando a dívida pesa além do bolso: o alerta financeiro do Setembro Amarelo

O endividamento não afeta apenas o orçamento. Medo, ansiedade, vergonha, preocupação e noites sem dormir também podem fazer parte de uma crise financeira.
BRUNO DIAS E GLEICY MACHADO
BRUNO DIAS E GLEICY MACHADO11 de setembro de 2026
Quando a dívida pesa além do bolso: o alerta financeiro do Setembro Amarelo
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Quando pensamos em uma pessoa endividada, normalmente olhamos primeiro para os números: quanto ela deve, quantas parcelas estão atrasadas, quanto ganha e quanto precisa pagar. Mas existe uma parte dessa realidade que não aparece no extrato bancário e que, muitas vezes, é ainda mais difícil de carregar.


Uma dívida dificilmente chega sozinha. Junto com ela podem aparecer o medo de não conseguir pagar, a preocupação com o futuro, a ansiedade cada vez que o telefone toca, as noites sem dormir, os conflitos dentro de casa e a vergonha de contar para alguém o que está acontecendo.


E estamos falando de um problema que atinge milhões de brasileiros. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da CNC, 82% das famílias brasileiras tinham algum tipo de dívida em agosto de 2026. Quase 30% estavam com contas em atraso e 12,5% afirmavam não ter condições de pagar o que já estava vencido.


É importante entender que estar endividado, por si só, não significa estar em uma situação financeira ruim. Um financiamento imobiliário, por exemplo, também é uma dívida. O problema começa quando os compromissos deixam de caber no orçamento, os atrasos aumentam e a pessoa começa a perder a perspectiva de como sair daquela situação.


É justamente por isso que falar sobre endividamento durante o Setembro Amarelo faz sentido. Uma crise financeira não deve ser tratada como causa isolada de suicídio, porque estamos falando de um fenômeno complexo, que pode envolver diferentes fatores pessoais, sociais e de saúde. Mas as dificuldades financeiras podem aumentar o sofrimento emocional, principalmente quando a pessoa passa a acreditar que não existe uma saída.


Em muitos casos, o peso não está apenas no valor da dívida, mas em tudo aquilo que ela começa a provocar.


A pessoa pode passar o dia fazendo contas mentalmente, perder a concentração no trabalho, dormir pensando nos boletos e acordar com a mesma preocupação. Pode começar a evitar encontros com amigos, deixar de atender determinadas ligações e até esconder a situação financeira da própria família.


E existe algo que torna tudo isso ainda mais difícil: a vergonha.


Vergonha de admitir que perdeu o controle, de dizer que não consegue pagar uma conta, de pedir ajuda ou até de conversar com o marido, a esposa, os pais ou alguém próximo. Por fora, a pessoa continua trabalhando, conversando e seguindo sua rotina. Por dentro, pode estar carregando um problema que ninguém conhece.


Por isso, uma das primeiras coisas que precisamos entender é que uma dívida precisa ser enfrentada como um problema financeiro, e não como uma sentença sobre a vida de alguém.


Existe um caminho para começar a reconstrução. Levantar tudo o que está devendo, entender quanto realmente entra e sai por mês, identificar quais dívidas precisam ser priorizadas, negociar quando for possível e construir um plano que caiba na realidade financeira daquela família.


Talvez a solução não aconteça em uma semana ou em um mês. Algumas situações levam tempo e podem exigir mudanças importantes. O primeiro objetivo não precisa ser resolver tudo de uma vez, mas recuperar o controle e começar a enxergar os próximos passos.


Só que existe um limite importante para a educação financeira. Quando o problema deixa de ser apenas preocupação com dinheiro e começa a provocar sofrimento emocional intenso, perda de esperança, isolamento ou pensamentos de morte, não basta organizar uma planilha ou renegociar uma dívida. É preciso cuidar da pessoa.


Se você está vivendo uma situação assim, não tente carregar tudo sozinho. Converse com alguém em quem confia, conte o que está acontecendo e procure ajuda profissional. Psicólogos e psiquiatras podem oferecer acompanhamento adequado, e a rede pública de saúde também dispõe de serviços de atenção à saúde mental. Para quem precisa conversar e receber apoio emocional, o Centro de Valorização da Vida oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.


E esse cuidado também vale para quem está do outro lado. Se você conhece alguém que está muito endividado e percebe mudanças de comportamento, isolamento, desesperança ou um sofrimento que parece estar ficando cada vez maior, não trate a situação apenas como falta de organização financeira.


Às vezes, ajudar começa simplesmente estando disponível para ouvir sem julgamento. Perguntar como a pessoa realmente está, oferecer companhia e incentivá-la a procurar ajuda profissional pode ser muito mais importante naquele momento do que tentar encontrar uma solução imediata para as dívidas. Se houver risco imediato de a pessoa se machucar ou tirar a própria vida, a situação deve ser tratada como uma emergência e é necessário buscar atendimento de saúde imediatamente.


No meu trabalho com educação financeira, acredito que precisamos falar sobre dinheiro também por esse lado. Organizar as finanças é importante, negociar dívidas é importante e reconstruir a vida financeira também é possível. Mas, quando o peso das dívidas começa a atingir a saúde mental, a primeira conta que precisa ser cuidada não está no banco. Está na pessoa.


Dívidas podem ser negociadas. A vida financeira pode ser reconstruída. Dinheiro pode ser recuperado. A vida precisa vir primeiro.


Neste Setembro Amarelo, talvez uma das conversas mais importantes que podemos ter sobre dinheiro seja justamente esta: não tenha vergonha de pedir ajuda e não deixe alguém que está sofrendo enfrentar tudo sozinho.

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BRUNO DIAS E GLEICY MACHADO

BRUNO DIAS E GLEICY MACHADO

MERCADO IMOBILIÁRIO E EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Bruno Dias e Gleicy Machado mostram como organizar suas finanças e investir em imóveis. @brunodiasb4oficial @corretora_gleicymachado

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